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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ski Crosscountry # 89 / 365

Os começos de ano parecem sempre chegar com novos esportes. Desde criação do projeto #365sports, tinha na wishlist a modalidade top condicionamento físico.
Quando chegamos em Keystone ganhamos um vale atividades e quem diria...

Numa manhã branca decidi que iria correndo para o local da prática. No meio do caminho resolvi perguntar se o Nordic Center estava próximo.
_ "Não dá para chegar lá andando!" _ me disse uma instrutora de esqui. "Deve ser umas três milhas daqui."
Ignorei a resposta e segui na direção que ela me indicou. Sem um mapa segui minha intuição e quando comecei a subir uma montanha, achei que pudesse estar errada resolvi parar um carro:
_ "Você tem que voltar tudo."
Resolvi aceitar a carona já que eu estava atrasada para a minha primeira aula.


Acreditando que as coisas acontecem por um motivo achei que o meu atraso poderia ter seu lado bom.
_"O grupo já começou, você vai ter que esperar uma hora, mais ou menos." ... ou não.
Quando Jana uma senhora se prontificou a me dar as primeiras instruções até que eu estivesse apta a me juntar ao grupo.


A bota do esqui cross country não tem nada do esqui tradicional, ela lembra uma bota de trekking bem confortável com um encaixe apenas na parte da frente para prender nos esquis e esse são bem mais fininhos que os outros.

Rápido de se equipar e logo estávamos no meio de um campo branco gelado para as primeiras instruções. Seguia os movimentos da minha mais nova professora checa, com seu inglês de sotaque nazista e sua conduta rígida: "Melhor me comportar!"

Não demorou muito para Jana se empolgar ao ver que estava levando a "brincadeira" a serio. Em poucos minutos eu já estava exausta.
_  "Você tem que sentir que seus braços estão trabalhando muito."
Meus braços? Minhas coxas já estavam saturadas, eu comecei a sentir músculos na panturrilha que eu nem sabia que existiam, abrindo o meu casaco para ver se conseguia diminuir o ritmo cardíaco acelerado do meu corpo. Morrendo de calor!


O esqui cross contry me lembrou o movimento da patinação, e com a memória muscular de tanto esporte misturado não demorou para conseguir acompanhar o ritmo frenético imposto pela general.

Sem duvida nenhuma é uma opção excelente de treinamento, super completo trabalha o corpo todo, somado com a altitude exige muito preparo físico.Um esporte de neve delicioso para aqueles que buscam algo mais além de descer montanhas.

Logo estava junto com Jana e os outros alunos do grupo que haviam começado antes. Na hora de ensinar a parar os esquis numa descida todos faziam o movimento, na minha vez:
_ "Não tá bom! Volta e faz de novo!" e logo em seguida "Pronto, você precisa agora é treinar. Sai por ai, te vejo em uma hora."

Assim me perdi no horizonte branco e silencioso.


terça-feira, 21 de maio de 2013

# 365 / Os primeiros quatro meses...

"Viva como se fosse morrer amanhã. Aprenda como se fosse viver para sempre."
Gandhi



sábado, 27 de abril de 2013

Asa Delta no Rio de Janeiro (# 58 / 365 esportes)


"Se quer fazer um duplo de asa delta você tem que ir para o Rio!" _ foram essas as instruções de meu pai.

Filha de pai voador, minha infância foi assim no meio de pioneiros, olhando para cima com o radio na mão para saber onde seria o pouso. Ouvindo gírias e termos do esporte, escutando e vivenciando histórias divertidas e algumas assustadoras.

Ai você me pergunta:
"E porque você não voou com ele?"
Porque as asas deltas tem tamanhos diferentes de acordo com o peso do piloto. As de voo duplo são maiores.

O nome do escolhido: Ruy Marra.
Ruy me recebeu de braços abertos para dividir a experiência. Literalmente uma EXPERIÊNCIA! O recordista mundial de vôos duplos, especializou se em biopsicologia, e usa isso a favor de seus passageiros. Desde da subida até a Pedra Bonita até o momento da decolagem Ruy usa seus artifícios para deixar nos calmos e enriquecer a vivencia. Musica e respiração. (Lá vem a respiração de novo! A mesma que controla o equilíbrio no slackline, traz paz de espírito no novo desafio.)


Confesso que não estava nervosa. Eu já tinha feito um voo duplo, mas um que não fora preciso correr. Em termos radicais, o mais gostoso foi exatamente sentir adrenalina ao ter que sair correndo numa rampa de 8 metros para se jogar num precipício de 520.


Já sobrevoando o precipício, a adrenalina deu lugar ao encantamento e imediatamente meus olhos encheram de água!
"Meu deus! Isso é tão... tão...tão..."_ não conseguia encontrar palavras para expressar. "É fácil entender porque meu pai é tão apaixonado por esse esporte!"


"Nossa Ruy! Isso é maravilhoso, tão maravilhoso..."
"...que dá até vontade de chorar!" _ completou o piloto imbuído da minha emoção.

A floresta da Tijuca, o mar, o vento, o dia.
O Rio de Janeiro é incansavelmente maravilhoso, e sobrevoa lo numa segunda feira ensolarada e cristalina foi intenso.
Breve dez minutos. Dez minutos eternizados!


Obrigada Ruy por compartilhar sua energia e tornar a experiência ainda mais marcante.
Obrigada paiê por nos contaminar de esporte! Life is good!

Gostou? fala com o Ruy (21) 9982-5703

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Uma verdadeira aula de Slackline (# 21 / 365 esportes)


No desespero de um final de semana sem programação fui acolhida por meus amigos cariocas Régis e Inês e lá fui eu de mala e cuia para a cidade mais bela do mundo; o Rio de Janeiro.

Régis "comprou" a brincadeira dos 365 esportes (para você que  chegou agora, meu desafio pessoal do ano é fazer 365 esportes diferentes) e quis colaborar para que a cidade carioca fosse mais um palco para prática de novas modalidades.
Sem que eu me preocupasse minha agenda logo estava montada:
"Luli direto do aeroporto para o aterro, praia do flamengo."

Sem almoço e sem me preocupar com isso encontrei com Edson Sousa o professor.
Eu nunca tinha feito uma aula de slackline, apenas me aventurado na brincadeira sem muita técnica, sem equilíbrio. Sem sucesso.


No aterro do flamengo, entre dois coqueiros a fita foi amarrada, num gramado verde que beirava a praia de areia branquinha. No fundo: o pão de açúcar realçado pela luz do sol. Eu me sinto turista de carteirinha no Rio; jamais me acostumo com sua beleza.

Mas voltando à aula: Edson teve contato com slackline há 7 anos, e dá aula a quase três anos. Logo no primeiro contato fiquei encantada com sua calma, equilíbrio fora da fita. Numa sequência lógica, foi me ensinando os truques e macetes de se equilibrar com uma filosofia que se estende além do corpo, ensina a mente trabalhar.


"Respira Luli, respira. Relaxa a musculatura."
Havia momentos em que a fita começava a balançar freneticamente de um lado para o outro, eu concentrava na respiração levando oxigênio para os meus músculos e relaxando o corpo. Como num passe de mágica a fita parava de mexer.
"Meu Deus! Ação e reação na prática!"

Aos poucos, sem a pressa da travessia, fui ensinando meu corpo maneiras de se equilibrar enquanto a mente deliciava se com a experiência.

Ali, de frente para o mar, absorvi que o slackline é mais que uma prática, é uma filosofia. Aprendi que tanto na fita quanto fora dela é preciso respirar, sentir o corpo, sentir o entorno, ter calma, tato, concentração e relaxar. O equilíbrio é uma feliz consequência!


Gostou? Fala com o Edson (21) 82787821 - (21) 91734029

quinta-feira, 21 de março de 2013

Ahhhh a Bahia! Bahia de todos os esportes...

...ou pelo menos 12 deles!


Inacreditável a energia que tem esse lugar!
Aproveitando as inúmeras atividades esportivas que tem no club med no sábado após natação e um alongamento (#29) já fui direto para o trapézio (#30)!
(tem como ser contratada?)
Apresentação no show da noite e dessa vez diferentemente da última o catch foi bem sucedido. (Eba!)

Bora tirar o atraso de modalidades. No domingo resolvi encarar o tênis (#31). Nem sei há quanto tempo que não jogava tênis (eu tive aulas quando era criança). Fiz uma hora de aula com o G.O Jesus (só ele salva!)


Quando começo me aventurar em novas atividades, provar as sensações que a experiencia gera, imediatamente o prazer vem a tona. Motivo de seguir e procurar esportes novos, provas diferentes. Viver.

Reaprender a segurar na raquete, descobrir que tem que mudar o "grip" quando bate com uma mão ou com a outra, e ter o prazer de ver uma bola top spin entrar na quadra. Dominar o corpo e conseguir resultado!


E foi assim com todos os esportes praticados em 12 gloriosos dias na Bahia. Biribol, vela, vôlei de praia, hidroginástica,  polo aquático, paddle, vôlei, squash (#39).
Life is good!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Cavalo! # 26 / 365!


Após o "treino traumático" de mountain bike Diogo, Marina e eu fomos andar à cavalo. Nem sei dizer à quanto tempo não fazia isso.

Marina a mais experiente ficou com Barão, o cavalo mais preguiçoso dos três, e no dia seguinte estava com a perna roxa de tanto tocar o cavalo para acompanhar os nossos.
Topper era bem arisco, se eu desse alguma bobeada o bicho já saía no galope.

Diogo gritava: "Luli, segura essa rédea, segura essa rédea!"
Final de tarde lindo! =)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cháuas Bertioga

fotos Christian Correa

Quando o Caco me convidou para fazer parte da equipe Selva na primeira prova de aventura do ano eu já sabia que teria que ser arrastada pelos meninos. A condição teria que ser essa.

Meu ano de treinos está apenas começando, me preocupava entrar numa Cháuas, uma prova de aventura marcada por sua dureza, sem estar preparada. Mas de certa maneira mesmo sem muito treino competir com a Selva sempre me deu segurança porque de uma maneira ou de outra sabia que teria ajuda da equipe para seguirmos fortes.


A formação da equipe seria uma novidade para mim, eu já havia corrido com o Carcaça, mas o Marcelinho e o Rafa Melges seria a primeira vez.

Na véspera de prova que fiquei sabendo onde realmente estávamos nos metendo; 29 k de trekking, 28 de bike e 10 de canoa canadense:
"Vinte e nove quilômetros de trekking?"
De certa forma as distâncias da prova me favoreciam, mas 29 k de trekking na Cháuas não poderiam ser boa coisa.


Alinhados para largar estudando o melhor ponto para atravessar Rio. Adrenalina a mil, eu já estava clipada no Marcelinho, pronta para ser rebocada no primeiro sprint de corrida.
A largada na praia começava com uma travessia. A estratégia dos meninos era correr mais na areia para tentar cruzar o rio mais adiante, muitas equipes entraram no rio direto e tiveram mais dificuldade de sair dele.




Saímos da água pilhados e entramos na trilha: "Cade o PC1?" A certeza dos meninos era tanta quanto a navegação que não nos preocupamos que não tinha ninguém da organização por ali e passamos batido na liderança para o PC2.

Rapidamente fizemos a transição e estávamos pedalando na praia. Outra estratégia que achamos melhor adotar: pedalar na praia, em alguns trechos sabíamos que seria possível pedalar dentro do condomínio da Riviera, mas optamos em seguir pela praia porque não teríamos possibilidades em errar na navegação.


O Rafa e o Marcelinho dividiam a navegação, eu já tinha semi memorizado o mapa na noite anterior e me preocupava ficar antenada para onde íamos. Sempre rebocada. Na bike os meninos criaram um reboque prático que dava para trocar quem me puxava. Os três fizeram força nesse primeiro trecho de bike. Depois de percorrer duas praias e o condomínio da Riviera chegamos ao PC6 para mais uma transição.


A estratégia dessa primeira parte da prova era realmente sprintar e tentar abrir a liderança para que pudéssemos chegar ao PC7 com certa vantagem para encarar o trekking que exigiria mais navegação e provavelmente definiria a prova. A corrida até o PC7 foi rápida e certeira, agora tinha chegado a hora da verdade, hora de ir buscar o PC8, hora da Cháuas, hora do perrengue.

Entramos na trilha já buscando o melhor ponto para encarar o primeiro vara mato, que se feito no local certo e com o azimute certo bateríamos na trilha seguinte. O Rafa acertou a navegação em cima e depois de um vara mato (ainda light) achamos a outra trilha que seguia.

Tinha chovido muito no dia anterior a trilha muitas vezes sumia, como nós liderávamos a prova não existiam pegadas para seguirmos. Claro que tinham trechos que a trilha não existia mesmo. Quer moleza?

Quando estávamos nos aproximando da virada de direção saímos da trilha de de repente estávamos com água na cintura, afundando na lama e nos digladiando com bromélias que retalhavam nossas pernas à medida que tentávamos avançar. Eu estava de bermuda e meias de compressão, larguei assim porque não imaginava que pudesse acabar com as minhas coxas, mas a guerra era tanta que nem os braços sairam ilesos.

Nem sei dizer quanto tempo ficamos nesse trecho, para mim foi uma eternidade! O Marcelinho subiu em uma árvore para visualizar qual seria a melhor estratégia para literalmente tirar os pés da lama, assim rumamos sentido inverso que tínhamos que seguir para ao menos escaparmos das bromélias assassinas.

Quando achamos a trilha que seguía para o PC8 finalmente, a mesma que nos tiraria dali, me clipei no Carcaça e segui rebocada acompanhando o trote da equipe. No rio para mais uma travessia escutamos o staff dizendo que éramos a primeira equipe a passar ali. Quase chorei! Nosso esforço todo tinha sido compensado.


Seguimos trotando de volta até a transição na praia onde nossas bikes nos esperavam para mais um trecho de pedal. Na transição, já com pouca comida e menos água resolvemos perder um pouco mais de tempo para resgatar as energias. Os donos de uma casa vizinha ao local gentilmente nos cederam água, gelo, banana e um saco de biscoito de polvilho.
"Pratico triathlon, não essas maluquices de vocês, mas consigo entender o que estão passando!"
Reabastecidos para mais um pedal até o final da praia.

Segunda parte da batalha; o ultimo trecho de trekking, que deveria ser uma costeira mas fora cancelada por questões de segurança, assim o trecho transformou se numa corrida no asfalto quente em busca de uma passarela que demorou a eternidade para chegar. O Carcaça me rebocava e seguíamos os quatro trotando pelo acostamento.

Momento duríssimo da prova, a equipe inteira estava sofrendo, o pensamento dos quatro era o mesmo: "Se alguém parar de correr, eu paro." Infelizmente ou não ninguém deu o braço a torcer.
Quando chegamos na passarela PC11 eu estava quase chorando. Talvez o staff que lá estava tenha sentido o quanto precisávamos de um estímulo e deu R$ 10 para que pudéssemos comprar uma Coca-cola: "SANTA Coca-cola, deusa dos desesperados e quebrados!"

"Calma Luli, é o ultimo trekking! Faz uma forcinha! Aí acabou a prova; será só a canoagem e a bike, não vai ter que andar mais."
"Gente, vamos trotar só até aquele carro preto ali."
"Tá ruim andando e continuará ruim trotando, mas pelo menos passará mais rápido!"

O Rafa assumiu um papel nesse trecho final que levou a equipe adiante e me impediu de ter um ataque de nervos, deitar no meio da rua, espernear e talvez nunca mais andar. Eu não fiz nada disso, me comportei dentro do possível e segui, ainda rebocada pelo Carcaça até finalmente a tão esperada canoa canadense.

Num rio sinuoso e margeado pela vegetação densa caraterística da região minha alma se acalmou. O final de tarde refletido na água anunciava o final do sofrimento. O Rafa tinha razão.

Após pouco mais de uma hora de remo na canoa canadense (Eba! mais um esporte para a lista) saímos da água, já completamente no escuro, prontos e totalmente renovados para o ultimo trecho de bicicleta.

O pedal final foi na praia, curtindo a primeira colocação geral que ninguém nos tirava mais. Com oito horas de prova (foi tudo isso mesmo?) cruzamos o pórtico de chegada.


Obrigada equipe Selva; Carcaça, Marcelinho e Rafael, foi "da hora" competir com vocês.
Que venham muitas outras, prometo que estarei mais treinada!

Marco Fábio, muito obrigada por acolher toda equipe em sua casa! Foi essencial uma boa noite dormida para largar descansados, e nem se fale depois para recuperar melhor ainda! Many thanks!

Agradeço também meus Patrocinadores Hope, Neaf Pilates, New Balance, Suunto
e meu irmão Tom Cox que cuida das sobrinhas de duas rodas tão bem!
Valeu!


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

365 esportes - Lá sei foi um mês e meio!


Parece que foi ontem o primeiro dia de 2013 que surgiu a ideia de ter um ano agitado, no meio de uma subida de montanha com snowshoes nos pés...


 ...num ritmo natural de férias com patins no gelobike ski e novíssimas experiências...


...congelantes mas extremamente excitantes como snowbike ou...


...nem tão novas como esqui e...




Que trouxe o resgate de esportes como boliche que não eram praticados há muito...



e os que já eram praticados há muito, dessa vez foram competidos de uma maneira diferente.


Aprendi também novas regras, novos jogos; horseshoe, ladder ball. E percebi que não serão precisos 365 dias...


...para descobrir que um projeto pode unir pessoas. Seja construindo um campo de bocha...


ou pendurando um alvo de dardos. Pode unir uma família.


Pode nos levar a novos lugares, pode até ser de caiaque dando a volta na Ilha Grande por exemplo...


...ou num treino de natação por aí. Um projeto pode unir amigos.


 ... pode fortalecer amizades...


...pode nos trazer equilíbrio...


...mesmo que seja 22 segundos sobre uma prancha de s.u.p!

Um projeto pode muito mais!  Vem com a gente!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A volta à ILHA GRANDE - segunda parte (2/2)


Quarenta quilômetros do segundo dia aparentemente seriam em um dia com mais possibilidades de chuva, mas São Pedro estava curtindo o nosso passeio. Após deixar a praia Parnaioca para trás e dar adeus para a Dona Janete seguimos para a próxima parada Aventureiro, mais uma praia de águas cristalinas, agora um pouco mais povoada. Aproveitamos para reforçar o café da manhã e tomar forças para atravessar a parte mais perigosa da Ilha: A ponta do Drago!

À distancia era possível ver onde o mar ficava alterado. Um pouco antes certificamo nos que as saias dos caiaques estavam bem colocadas e coletes afivelados, era hora de encarar o Dragão.

Apesar de altas, as ondas entravam no mesmo sentido: mais fácil equilibrar o caiaque.
Logo quando entramos no mar agitado eu já comecei a gritar, me deliciando com a adrenalina e aventura de remar em um mar bravo. Me sentia segura; além de ter 4 marmanjos a minha volta, sabia que o trecho de mar revolto não seria nada muito além de 1 quilometro, então era hora de curtir o desafio!

O Diogo mudo. "Diogo você está tenso?"
Meu companheiro de embarcação não estava se divertindo como eu, talvez porque na ultima expedição que fez o caiaque virou 5 vezes.

Havia horas que o caiaque batia tão forte na queda contra as ondas que parecia que ia quebrar ao meio.
Os meus gritos transformaram se numa cantoria conjunta:
"Poe a mão na mão do meu Senhor, que acalma o mar, que acalma o mar..."
O lobo do mar e a dupla dinâmica Vit e Marcelo remavam na frente a abriram uma boa vantagem. Mas depois que todos passaram a ponta comemoramos e vibramos:
"Vencemos o Drago e o melhor; a diversão foi na medida!"

Pulamos a parada seguinte porque o mar estava bem batido, achamos que seria melhor contornar a ponta leste da ilha e irmos direto para a praia vermelha.
Na praia vermelha uma parada deliciosa para o almoço: "Lula frita!"
Claro que o tcheco pediu uma cervejinha para não quebrar a tradição.

O tempo ruim só chegou na ultima meia hora do dia, quando nós já remávamos sentido a praia Bananal (local aonde 3 anos atrás houve o deslizamento de terra) O Capitão Baiacu resolveu dar uma estendida no remo, pois os quase 40 k eram pouca quilometragem para o seu dia. Enquanto isso, nós curtimos um banho quente e um happy hour em uma varanda com vista do final de tarde chuvosa sobre o mar.


A pousada da Satiko tem um chuveiro melhor do que o de casa. Sem contar a comida, o nhoque caseiro que teve de jantar e o bolo de chocolate no café da manhã! Tudo deliciosamente valorizado.

O terceiro e ultimo dia foi um passeio final para fechar a volta. Aproveitando as partes belas da ilha fomos até o Saco do céu e lá comemos a ultima lula frita da nossa expedição.


Assim terminou o feriado com 106 k de canoagem, quase 16 horas de remo, várias porcões de lula frita, praias paradisíacas, natureza selvagem e amizades fortalecidas. Aventura perfeita!
Agora já estamos sonhando com a próxima!

Obrigada Zé Alfaia,Vit, Marcelo e Diogo foi divino compartilhar a aventura! Quero mais!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

EXPEDIÇÃO Volta a ILHA GRANDE - primeira parte


A volta a remo à Ilha Grande começou muito antes de quinta feira. Diferentemente das expedições de bicicleta que exigem (em minha opinião e gosto) pouca programação, uma aventura no mar exige planejamento, responsabilidade e sorte.

Planejamento e responsabilidade porque com a natureza não se brinca, muito menos com mar e sorte porque São Pedro tem que estar disposto a fazer parte da aventura. Depois da nossa expedição cheguei à conclusão que São Pedro é canoísta.

Encabeçaram o planejamento de ataque Zé Alfaia, Caco e Vit : analisando as condições do tempo, mar, marés e ventos. Estudaram detalhadamente qual seria a melhor rota, as melhores paradas e distancias de remadas por dia. Na logística Vit e Diogo definiram como os caiaques oceânicos chegariam até a praia e reservaram pousadas na Ilha Grande.


Sexta feira 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, 8.30 h da manhã  José Alfaia, Vit, Marcelo, Diogo e eu estávamos bem longe da nossa capital, na praia de Guaratucaia, Angra, colocando os caíques na água (modalidade # 18 / 365: caiaque oceânico) . Um dia ensolarado com mar calmo e ânimos a flor da pele.

O primeiro trecho de 14 km foi uma travessia tranquila até a primeira parada na praia de Palmas. Após duas horas de remo era bom dar uma reabastecida: açaí! Parada foi relativamente rápida e logo seguimos para mais 13 km de remo com destino a Lopes Mendes, uma praia muito comprida de areia branca. Paramos no canto da praia para o “almoço”, comidinhas que trazíamos nas nossas embarcações.


Depois de mais 4,5 k paramos numa das praias que eu mais gostei Cachadaço; uma praia pequenina de água cristalina, completamente escondida pela geografia costeira. Enquanto o Vit mergulhava com sua máscara, Diogo e eu escalávamos as pedras que protegem a praia para ter uma vista aérea do paraíso. Como esse Brasil é lindo!

Hora do trecho final; mais 13,5 k até Parnaioca a última parada do dia, já situada do outro lado da ilha.
Quando ficou definido quem realmente iria participar da aventura fiquei meio apreensiva: o fato de ser a única mulher e poder ser literalmente a ancora da expedição era algo que não me agradava.

Foram dois caiaques duplos Vit e Marcelo, Diogo e eu, e um simples Zé Alfaia (vulgo lobo do mar, ou capitão baiacu) que dispensa apresentações para os remadores de plantão. Zé remou 45 k na raia da USP para treinar para a volta a ilha, sem comentários! Conhece todo o litoral norte por onde já se aventurou com seu caiaque e tem mais historia para contar que qualquer pescador. Mesmo com essa turma de peso, ou melhor, de braço, o nosso caiaque vermelho se comportou bem. Diogo, você que remou sozinho?


Tudo isso para contar para vocês que a ultima perna do primeiro dia foi muito sofrida: o sol nos castigando o dia todo começou a minar minhas forças. Na hora que o Diogo pediu para parar para jogar água na cabeça, eu não tive dúvidas; pulei na água porque o meu radiador também tinha superaquecido. O acumulo de horas remadas já estava pesando no movimento dos braços e a ponta da entrada da praia parecia ficar cada minuto mais longe.

Ai você me pergunta: Mas pra que? Pra que remar durante 7 horas num dia? Não podia remar metade?
 E eu te conto:
O sofrimento nos torna conscientes dos pequenos prazeres da vida.


 Aquele arroz com batata e frango que você come sem dar valor, vira uma refeição desejada e prazerosa. Não eu não estou falando de um restaurante cinco estrelas, ou talvez esteja porque a pousada humilde de Dona Janete, após 9 horas no mar, transformou se no melhor hotel do mundo.

Estar numa praia extensa e deserta sentada num balanço perto de quatro amigos tomando uma Coca-Cola e ouvindo o silencio ser interrompido apenas pelas ondas do mar é algo que me faria feliz, mas o esforço desprendido durante o dia potencializa a vivência e num momento em que o sorriso já não sai do meu rosto, meus olhos encheram de água! Flash!

...to be continued...

Quer ver mais expedições de caiaque?
-Volta à Ilhabela
-Rio Douro (Miranda do Douro à Régua)