Estamos no meio da prova à espera de algumas equipes para que consigamos seguir adiante, mais aqui da frente, da secção 4, acabo de voltar do hospital e tomei anti inflamatório na veia. Mas vamos começar tudo do começo;
A largada do segundo dia de prova foi na frente de um castelo medieval. Largamos de trekking e passamos por várias cidadezinhas lindas, com casinhas todas de pedras e mini corredores e muito desnível.
Aqui o formato da corrida é completamente diferente do que estamos acostumados; a prova tem os PC e os PCs Bônus. Ganha a equipe que pegar o maior número de PC. E nenhum Pc é obrigatório. A prova é dividida em 5 secções, com várias modalidades essas tem horário de abertura e de encerramento. Muita matemática e estratégia para as equipes de trás. Pois as da frente buscam e disputam Pc porPc.
Hoje eu entendi o “prova dura” da organização, nada é plano por aqui os Pcs sempre estão em cima ou em baixo. No trekking optamos por deixar um Pc de fora porque se fossemos faze-lo teríamos que levar nossos neoprenes durante todo o percurso. As estratégias foram as mais diferentes possíveis teve muita equipe que buscou só um pc e seguiu para a Bike. Demoramos 10 horas para cobrir o trecho de 40km de trekking, eu não via a hora de chegar na transição; “Estamos andando à horas...” Já estava escuro e quando chegamos..., tivemos a primeira surpresa da prova; os meninos nossos apoios não tinham deixado a minha sapatilha na bike. Fiquei mal por alguns segundos, depois de ouvir um “Luli não tem o que fazer!” e realmente não tinha o que fazer era sair e ir pedalando os 100km de tênis.
Resumindo (vou ter que diminuir o tamanho da história porque temos que arrumar nossas coisas para continuar na prova) No final dos 100km de pedal sem sapatilha com uma noite muito sofrida de frio e vento que pegamos na serra, a gancheira da bike do Rafa quebrou, terminamos o trecho de 17 horas (!!!) carregando a bike. Saímos para um trecho de 21km de trekking com subidas de duas montanhas com um desnível insano, nesse invertemos; o Antonio jogou fora o tênis dele no final do primeiro trecho de trekking pois achava que iríamos encontrar com o apoio depois da bike, mas e era depois do trekking... ou seja o espanhol fez 21km com uma sapatilha de bike muito dura, e sem reclamar com o bom humor e alto astral de sempre. Aprendemos uma lição a todo momento estar ao lado dele. Contabilizando; Bike sem sapatilha, trekking de sapatilha, gancheira quebrada...”O que mais podia acontecer?!”
Chegamos na transição depois do trekking depois de quase 10hs na modalidade, já chegamos a noite, aproveitamos para a primeira dormida longa da prova (na primeira noite dormimos apenas 30min) Depois de 2hs de sono acordei e ao levantar, imediatamente caí, meu pé direito não se apóia no chão, senti uma dor muito forte. E toda vez que tocava o pé no chão doía mais. Depois de uma hora conversando se iríamos seguir ou não fui até o hospital, o medico de lá pouco me disse e me deu um antiinflamatório na veia para que pudesse seguir sem dor. E com essa história e demora não passaríamos o corte, a organização jogou a gente mais para a frente na prova, com mais algumas equipes que também entraram no corte. Vamos pular a terceira secção e entrar no meio quarta. Agora entramos num remo de 40km, seguido de uma bike e um trekking. A medica da organização avalia que a dor do meu pé deve ter se dado devido às 17 hs “se equilibrando” de tênis em cima de um clip na bike e disse que posso seguir, claro, avaliando até que ponto vale a pena. Vamos com fé!