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segunda-feira, 22 de julho de 2013

GIGATHLON - RELATO 4o dia de prova


ENNETBÜRGEN - BERN

A tranquilidade da largada do quarto dia (por já termos vencido a etapa Rei no dia anterior) foi comprometida quando Simone disse que o dia seria a etapa Rainha!

"Poxa vida Simone! Você disse que se passásemos ontem estaríamos bem na prova e agora vem com esse papinho de etapa Rainha?" _ tentando negociar mais um dia difícl que viha pela frente.


Mais uma largada de natação. Dessa vez tinha que pegar um barco que nos levaria até a cidade de partida. A largada foi dada dentro da embarcação, os atletas saiam correndo até o ponto de entrar na água. Dessa vez a natação diferentemente dos dias anteriores era de um ponto à outro. O visual também era muito bonito apesar de pouco poder ser apreciado na modalidade. Meus braços começavam a sentir mais o acumulado dos dias.

Saí da água com ajuda da Pati me troquei para entrar no trecho de mountain bike. Com o passar dos dias fomos ajustando a troca de modalidades; o plano inicial era a Dri fazer as duas bikes seguidas, mas com o desgaste acumulado da mesma modalidade, achamos melhor a dobradinha ficar comigo na natação e mtb.




Saí forte no começo tentando pegar vácuo nos trechos mais planos e ainda fora de trilha, sabia que não conseguiria manter aquele ritmo até o final. O tempo todo da competição joguei com todas as cartas e usei a força que tinha, porque era dificil prever como o corpo iria reagir no resto do dia. Na maioria das vezes os descanços (mesmo que preenchidos de atividades e transições) permitiam que o corpo recuperasse.

De volta a Ennetbürg, hora de passar o chip para a Dri que sairia para mais um dia dificil sobre a bike de estrada com 110 k e 1600 de acumulado. Talvez a roadbike tenha sido a modalidade mais rejeitada pela equipe. Na nossa divisão de modalidades a Dri acabou ficando com a "speed" já que eu fuidesignada para a natação e patins. Nós definitivamente não somos mulheres de asfalto, nosso negocio é lama, mas:
"Bora lá Dri! Vai com tudo!"


Aproveitando mais uma janela longa, Pati e eu seguimos para Bern, a cidade base seguinte. Dessa vez finalmente conseguimos montar a barraca:
"Chega de dormir na van!"


Conseguimos nos organizar porque estávamos acompanhando o track da Dri ao vivo, e essa vez foi uma das poucas que não ficamos esperando. Após 6 horas de pedal, mal chegamos na transição e a Dri chegou; falante!
"Eba! Falante. ótimo sinal!" Isso definiria a resposta que havíamos postado no Facebook de quem faria a perna final de corrida.

Hora de patinar. O trecho foi bem desgastante, estava quente e o esforço da natação e mtb estava pesando. O visual era maravilhoso; vastos campos de trigo e cores diferentes, girassóis, um horizonte infinito dourado pela luz de final do dia.

Cheguei na transição muito cansada, não encontrei com as meninas que estavam esperando o trem (unico meio de chegar lá) Fui ajudada por outras equipes de apoio, me deram de comer e beber. Quando chegaram, a Pati estava pronta para entrar no trecho de 24 k de corrida com a Dri. Pois é! Todos votaram que quem deveria correr era a Pati! Lá foram as duas!


Voltei sozinha de trem para o acampamento. Outro dia de jornada longa 14.30h e após a dancinha do trio na chegada, exausta abandonei as meninas e fui dormir mais um dia sem tomar banho.

 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

GIGATHLON - Relato do 3o dia de prova

ENNETBÜRGEN

A noite na van foi estressante, eu pouco dormi. Tive ataques de panico sentindo falta de ar angustiada com a largada que estava marcada para as 5.30 da manhã em águas gélidas. Durante a noite confesso que repensei na competição; comparando o sofrimento com as longas provas de aventura.

Ainda no escuro a Pati me acompanhou de onibus até a largada. O visual a beira do lago era algo de emocionar, o céu rosado anunciava o dia de sol, por trás das montanhas de contornos escuros refletidas no lago. O pórtico emoldurava o visual.

 
Simone, um dos organizadores da prova, do fã clube da equipe cor de rosa aproximou se:

_"Como vocês estão? Espero que estejam bem e preparadas, hoje é a etapa rei, a mais dificil da competição! Quem vai fazer a bike de estrada?"

Esquecendo meu medo de entrar na água gelada: _"A Dri! Porque? a Dri vai morrer?"
 
"A Dri vai morrer!"

Sem que eu pudesse descobrir mais detalhes do percurso foi dada a largada, eu fui uma das últimas a entrar na água, tentando ignorar um Suiço que reclamava da baixa temperatura da mesma. "Fala sério amigo! Eu sou brasileira e você vem dizer para MIM que a água tá gelada?"
 
Sorte que devido a temperatura da água o percurso foi reduzido pela metade e a Phelps aqui achando que tinha nadado 3 k em 30 min. Mas melhor entrar na água achando que tem que nadar 3 e nadar apenas 1,5k.
Na transição para a bike de estrada, eu não quis dizer nada para a Dri. Simplesmente a abracei tentando tranferir minha energia: "Boa sorte Dri! Te amo!"
 
A etapa Rei, não era apenas dura em perurso, era complicadíssima em logística também. Dali pegamos o carro para outra cidade. Dessa cidade, eu deveria pegar o trem para outro local e a Pati ainda deveria levar minha bike para outra transição. Separação total da equipe.
Começamos a ficar desconfiadas que a Dri demoraria muito mais que o previsto quando conversamos com outras equipes sobre o percurso e previsões.
Enquanto esperava a Dri fui até um restaurante comer e dar uma entrevista para um repórter de um dos jornais do país. (veja a reportagem aqui)
Após 7.40h de pedal a Dri chegou chorando! Pedalou 121 k Subiu 33 k e 2650 de altitude. Se a etapa o dia era o rei, a Dri era a Rainha, guerreira e durona (mesmo chorona) garantiu que continuássemos na prova.

Saí para o patins. O acumulado da distancia já começava a ser sentido nos músculos específicos da modalidade. Freiar já não era mais um mistério e nem uma vontade; eu rezava nas descidas porque já não tinha mais vontade de parar.

O visual era maravilhoso, uma estrada sinuosa ao lado de um lago azul turquesa margeado por enormes montanhas rochosas. Cheguei para a transição patins / mountain bike encontrando a Pati que me ajudou na troca, eu continuaria na prova, uma mudança de estratégia que tínhamos adotado na véspera para poupar um pouco a Dri.

Minha estréia no mountain bike, com pouco treino especifico entrei para a subida interminável (1500m) cheia de vontade. Descobrimos que mudar de modalidade e músculos fazia bem! Seguia acompanhando o lindo lago azul turquesa, pedalava emocionada! Viva!

Curti tanto a subida quanto a descida e após 3.40h de pedal a Dri já um pouco recuperada de seu pedal de 7.40 entrou para o último trecho de corrida.

A chegada da equipe mesmo tardia (por volta das 11 da noite todos os dias) já começava a ser bem esperada e comemorada. O DJ já sabia que tinha que colocar uma musica animada porque o trio se juntava para a dança de comemoração de mais uma conquista. A Etapa Rei tinha ficado para trás!
 



quinta-feira, 18 de julho de 2013

GIGATHLON - Relato 2o dia de prova

CHUR - ENNETBÜRGEN

A largada para o segundo dia foi um pouco assustadora; quando chegamos no pórtico comecei a analisar os outros corredores e percebi que estavam todos leves, sem mochila.

"Vai se infiltrando!"_ Nosso grito de guerra em ação, Dri e Pati agitavam a pacata manhã.

"Oh my God! Eu não estou praparada para correr quase meia maratona esprintando!"

A corrida foi fácil, sua maior parte foi por caminhos de terra, dava para ficar num ritmo bom e mesmo com o esforço da subida da véspera eu sentia que meu corpo responder.

 
Após duas horas e meia estava na transição. A Dri entrou para perna de 81 k de roadbike. No acumulado as modalidades que não tínhamos tanta base começavam a pegar. O calor também começava apertar.


Pati e eu esperávamos em Lachen, a Dri demorou mais do que o previsto, sua chegada começou a deixar a equipe preocupada. No final do trecho ela sentiu o calor e sofreu mais do que o esperado.

Eu entrei correndo de neoprene para 3 k de natação, dessa vez sem medo nenhum da agua gelada, o calor era tão intenso que eu estava era mais preparada para congelar. Consegui criar um sistema pessoal de navegação de bóia para bóia na triangulação do azimute para tentar otimizar ao máximo as braçadas.

Depois do refrescante trecho entrei para a estreia do patins em uma perna longa. Ai foi quando fritei e sofri muito. Resolvi patinar com o meu patins antigo (levei dois pares para a competição) porque já estava com os pés doloridos do primeiro dia. Mas se querem saber, acho que nenhum pé resiste bem a mais de duas horas de esforço dentro de uma bota.


Quando eu cheguei, visivelmente abalada pelo calor a Dri já veio:

_"Ah! Agora está sentindo um pouco do que eu senti!"


E partiu para a ultima modalidade do dia mountain bike. Sem levar nada de casaco.

Pati e eu seguimos de carro para Ennetbürgen, a cidade do acampamento seguinte. Supostamente quando chegássemos deveríamos montar a barraca.Pudera! Estava um temporal de verão daqueles!

"E agora?"


Nesse momento começou o perrengue. Nesse momento percebemos a dificuldade de ter apenas um apoio. Foi o primeiro dia sem banho.

Peguei o jantar enquanto aguardávamos pela Dri. A ansiedade de esperar, no escuro, não saber que dificuldade ela estava enfrentando, se estava sofrendo com o frio, com a chuva, fazia com que o descanso fosse adiado. Meu corpo já estava parado mas a cabeça continuava na prova.

Após 14 horas de competição ver a Dri cruzar o pórtico de chegada com sorriso de orelha a orelha e falante (como costuma ficar quando tudo corre bem) foi um alívio para mim e para Pati. Hora de ir para a nossa van e tentar dormir um pouco para o dia seguinte.