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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Mountain Quest 2015 - Palavras de uma largada

É difícil estar aqui para falar do Mountain Quest, não é fácil para nós continuarmos o sonho sem seu criador. Muito menos tentar fazer seu papel.

Na edição desse ano estamos trilhando um caminho novo. É o começo de um novo track que desbravamos sem saber onde vai dar.
Agradecemos à todos os que estão aqui e seguem conosco.

O João aqui agora certamente estaria falando de seu amor pelas montanhas, de sua paixão como fazia incansavelmente

Mas sem ele aqui, fomos obrigados a virar uma chave e agora ao invés de individualmente pensar como cada um de nós, pensamos com a cabeça dele, são inúmeros João Marinho que estão por aqui, na forma de atletas e na forma dos staffs.

Nós compartilhamos o mesmo amor e sonho. E hoje não é apenas nossa paixão pelas bikes ou aventuras que nos trás aqui mas também nossa paixão por ele.

Um homem que nos ensinou a amar a vida, viver apaixonadamente e perseguir nossos sonhos.

O Mountain Quest e todas as competições criadas pelo João são assim; não são uma simples prova, é a partilha de um amor, de dividir o que se sente ao estar no meio da natureza, nas montanhas mágicas de Amarante.

Em nome da organização e como alguém que vive das mesmas paixões, peço que levem consigo desse final de semana, o que o João sempre nos ensinou.

O Mountain Quest além de uma prova feita para redefinir os limites é a união de amigos, o amor pelo esporte e pela natureza, a celebração da vida.

Agradeçam o presente e façam a vida valer.
Sempre!
Te amamos João Marinho!


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Mountain Quest 60 km - testando o percurso


Toda vez que trabalhei nos eventos com o João, o reconhecimento era trabalho obrigatório afinal o mutante sempre queria saber como uma reles mortal se portaria no percurso. Foram inúmeros empenos que tomei, quer queira fazendo os tracks da DBR ou me arriscando no primeiro ano do Mountain Quest.

O Mountain Quest foi criado em 2012 por um atleta de ponta, um mutante que desafiou-se fazer 3 serras, 160 km com mais de 5 mil de acumulado passando sempre pelo ponto mais alto de todas, no meio delas existe ainda mais uma montanha o monte farinha ou Senhora da Graça, mas essa é brinde; tipo pague 3 e leve 4! No começo eu dizia que o desafio era para quem mordesse a isca, e realmente é, mas hoje eu acho que é um desafio de mutantes para mutantes, claro que os mortais podem se arriscar e se conseguirem serão elevados à outro patamar. (leia sobre a primeira edição do MQ aqui)


Esse ano, mesmo sem a presença física de seu criador, o Mountain Quest eleva seu nível, além da prova principal os 180 km foi acrescida uma prova de 60 km no dia seguinte, e para aqueles loucos que quiserem testar ainda mais seus limites será possível arriscar se nas duas competições, com poucas horas de descanso entre uma e outra.
Finalmente só os 60 km oferecem uma possibilidade para os reles mortais, é a abertura do Olimpo, para podermos participar da festa e ficar perto dos Deuses!

Lá fui eu então sabendo das minhas condições testar os 60, porque o "trauma" de ter tentado os 160 nunca saiu da cabeça.

Pois bem; nas provas da Nexplore não existe nada fácil, era se de desconfiar que 60 quilômetros pudessem ser suaves. Mesmo fazendo uma previsão pessimista para o andamento, levando em consideração que pararia para fotos etc, errei de longe.


Sair de Amarante, qualquer que seja a direção é sempre para cima, o problema é que o "para cima" demorou os primeiros 30 quilômetros. Durante a subida nas bifurcações que existiam pelo caminho, na duvida era sempre a subir. Nunca suave, o asfalto durou pouco e logo estava lidando com pedras, singles a areia.

Mas a medida que nos afastamos da cidade estamos sós na montanha. O sofrimento realça as cores da paisagem, deixa a montanha soberana, e ao mesmo tempo que nos torna pequenos nos enche a alma.


Fui seguindo o track no meu Suunto, as vezes tinha algumas duvidas, quando no meio da primeira serra me deparo com silvas (um arbusto cheio de espinhos que os portugueses estão fartos de conhecer, mas os brasileiros nem por isto) arvores e uma trilha desaparecida.
"Será mesmo por aqui? "


E era, demorei bons minutos pondo a bike nas costas e tentando me desviar das silvas, mas mesmo assim sai de lá que parecia saindo de uma briga de gatos, toda arranhada. Nos velhos tempos eu diria que deixassem o percurso assim (as vezes a minha porção de corredora de aventura fala mais alto que a de biker) mas não se preocupem esse pequeno trecho estará limpo para o domingo.

A medida que passava por algumas partes tipicas, as memorias pipocavam na minha cabeça, tanto já vivi nessas serras que me sinto em casa. O percurso dá a volta na Capela são Bento. Não basta pedalar também é preciso agradecer, eu sugiro que o façam; no domingo quando por lá passarem lembrem se de agradecer, recarreguem se com a energia que as montanhas emanam e sigam, afinal estão apenas no começo do empeno.


Já no alto da primeira serra é possível ver a Senhora da Graça, e ela acompanha quase todo o percurso, cumprimente a pois ela estará ali olhando por ti boa parte do caminho. Chega até ser irritante, porque quando a vê pela primeira vez ela está tão longe, depois vai se aproximando até chegar aquele momento após escalar 1000 metros que a montanha vai ficar abaixo de você. Ela lembra muito as eólicas, parece estrategicamente posicionada para avisar da dureza do percurso.


Depois dos primeiros 30 km de subida vem uma descida realmente incrível, com pedras, técnica e ingrime, e mesmo apesar de todo cansaço acumulado me fez sorrir, me aproximou do João.


"Os cafés" que tanto me diziam que tinham no trajeto só apareceu no quilometro 37 km, agora imaginem o tamanho da marretada da pessoa aqui que até lá levava apenas balas e azeitonas. Fontes e água não foi problema, mesmo com o calor que fazia tive acesso a água e não passei necessidades.Cheguei no café no meu limite de exaustão.

A dona e alguns clientes encantaram se com o fato de estar sozinha pedalando no meio dos montes.
"Uma brasileira? Tão longe de casa? Sozinha?"
Minha parada levou dezesseis minutos, tempo suficiente para duas Colas (como dizem por aqui) dois pães recheados de chocolate e uma conversa boa.


Segui viagem reenergizada, e sabendo que o pior já tinha ficado para trás.
A "volta" para Amarante fica mais suave, o percurso continua incrível com downhills por caminhos em pedra, a famosa ponte de arame, que eu não entendo como ela continua ali!

Essa parte do percurso me fez lembrar o reconhecimento de uma dia da DBR que fiz com o mutante em 2012 (leia aqui) que foi outro empeno que só!


O por do sol anunciava a noite que chegava e o tempo que eu demorava a fazer os 60 km. Oito horas e vinte em cima da bike. Mas o fim de tarde trouxe também uma satisfação indescritível.
Estar aqui poder compartilhar o amor pela bike, pelas montanhas, pela serra, poder dividir isso com amigos de longa data. Dar continuidade a um sonho.

Falo em nome da organização 2015, o Mountain Quest não é apenas uma competição, é um presente de amigos que compartilham sua paixão e a usam de combustível para tornar um sonho, realidade.
Aproveitem o empeno, vivam cada segundo dele, agradeçam, recarreguem suas energias nas montanhas e comemorem conosco na linha de chegada!
Sejam bem vindos!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Mountain Quest - The real challenge!

Não foi por falta de aviso de João Marinho, sabia no que estava me metendo, eu e toda a Malta (como se diz por aqui). Foram incontáveis emails e notificações de que o desafio seria duro. Mas são aquelas coisas que e gente apenas imagina, tem uma leve idéia do que está por vir, e a realidade, dura, nos aguardava. Era apenas uma questão de horas.


O Mountain Quest foi um desafio criado por um atleta de ponta para qualquer um que aceitasse enfrentar seus próprios limites. Um percurso de 162 km, 5 mil metros de subidas acumuladas em 3 serras diferentes e para apimentar mais um pouquinho o frio rigoroso do inverno português.

Quando fui me envolvendo com os detalhes, e fui obtendo mais informações sobre a velocidade média que o João levava nas subidas, e o tempo que ele calculava que iria demorar, cheguei a conclusão que não cumpriria a totalidade do percurso em menos de 20 horas.


Daí em diante passei a encarar o Mountain Quest como uma prova de aventura e não mais um passeio de mountain bike. O acumulado massacrante de subidas concentrava se nos primeiros 60 quilômetros, foi aí que a brilhante idéia de largar antes das 6 da manhã (horário previsto de largada geral) foi amadurecendo. Bastou encontrar com o João Pedro para definirmos que sairíamos logo após os briefing de sexta feira à noite.

Reuniu se uma patota jeitosa; Pedro, Fernando, Miguel, Renato e eu. Tudo separado, até macarrão instantâneo eu tinha na minha mochila, faróis potentes para pedalar a noite gentilmente emprestados pelo Francelino, junto com esquentadores de mãos e de pés, meu casaco de esqui também ia.


Sem contar que seria a estréia da minha bike novinha, quer dizer a bike do João (rs ele ainda não me deu) a Pink Snow, como fora batizada porque é lindamente branquinha com toques de rosa. Uma Rocky Mountain personalizada.


Saímos os cinco muito carregados e cheios de vontade a 1h da manhã da praça principal do centro de Amarante. Escoltados por amigos, organizadores e simpatizantes da brincadeira.

Já começamos subindo. “Graças a Deus!” Só assim conseguiríamos driblar o frio. Saímos em ritmo de passeio e cada hora parava se para fazer alguma coisa; ou era a fonte, ou o celular, ou tirar o casaco.
“Hum assim iremos demorar 30 horas.”

Pedro Ribeiro começou a se sentir indisposto, não sabia se era algo que tinha comido ou bebido. Quando passamos na aldeia velha paramos abrigados ao lado de uma fonte para ver se ele melhorava. Era só parar que eu parecia uma batedeira! Não parava de tremer e bater os dentes, as mãos congelavam no mesmo instante. Que gelo!
“Pessoal melhor seguirmos senão iremos morrer todos congelados.”


Com três horas de pedal, as quatro horas da manhã no alto da primeira serra (Aboboreira) recebemos apoio caloroso da Anita e do Zé Silva que além de incentivos nos levaram chá quente e bolachas. Confesso que carregamos as baterias na hora, obrigada amigos!

Ali tivemos a primeira baixa no grupo, Pedro seguiu direto para Amarante, e nós começamos a descer sentido à segunda serra. Quando começamos a subir o João me liga, ele estava já a caminho da largada oficial.

Pouco antes do quilometro 30, nós já tínhamos subido 2.700 no combate noturno, ao cruzarmos a estrada paramos num ponto de ônibus para esperar nosso segundo apoio; Pedro que já havia até parado no hospital chegava ao nosso encontro com mais uma dose de chá, bolachas e incentivos.


O amanhacer é poético na serra do Marão. Não menos prezando a noite estrelada na serra da Aboboreira com vista linda cheia de luzes laranja da cidade que lá embaixo ficava. O percurso todo era de se encher as vistas. A beleza inóspita das serras, o silêncio profundo que por vezes é cortado pelo sopro das eólicas.

Com muita luta e discussão, vencemos a tentação de entrar no carro quente do Pedro e resolvemos seguir, continuar na batalha, mesmo sabendo que os 162 km já estavam fora do alcance e cogitação.


Passada a aldeia de Mafómedes começamos mais uma vez a subir, aí por volta do quilometro 36 eu já não conseguia mais manter um ritmo bom, me doíam as pernas e eu estava atrasando ainda mais o ritmo do grupo.
“Pessoal, eu não terei condições de seguir, se quiserem sigam eu vou pegar o atalho.”
"Equipe é equipe, iremos todos juntos." completou o Nando.


João Marinho pensando nos mortais que ali estariam criou dois cortes para que os que não tivessem condições de prosseguir pudessem voltar. Nós sabíamos que o primeiro atalho estava perto, mas ainda assim nos poupamos de uma descida e subida para chegar até ele.

Viramos sentido as antenas do Marão, seria o último grande cume, depois disso era descer quase 30 km rumo à Amarante.
“Aonde estas?”_ João ao telefone.
“Desisti, vou voltar para casa.”
“Me espera que estou chegando em vocês, assim você leva a chave de casa.”


Isso que é perfect timing. Em três horas, o que nos tinha levado mais de seis, os primeiros guerreiros do Mountain Quest nos alcançavam. Rui Guimarães foi o primeiro a passar. Aproveitando as pedras da serra, fizemos a nossa torcida organizada, e escrevemos no chão RUI e também JOÃO.

Para encontrar com o João desci até o ponto de virada do percurso, e nós três (Miguel e nando) ficamos lá por uma hora, esperando alguns de nossos amigos por lá passarem, foi assim que perdemos o segundo elemento da equipe Renato que seguiu até as antenas do Marão e nos não o encontramos mais.


Voltar para Amarante não teve muito segredo, o difícil foi ficar acordada depois de uma noite sem dormir na descida que não terminava mais.

Com 11 horas em cima da bike, muito mais de 3.000 de acumulado em subidas e 85 km termina nossa aventura em Amarante.


O Mountain Quest, uma “brincadeira” que saiu de um flash de idéia do João, se tornou real! A realidade mesmo que muito dura, mesmo com menos de 10 atletas que conseguiram percorrer sua totalidade brutal, agradou a todos. Todos que participaram saíram de Amarante cansados, mas com um sorriso no rosto e muitas histórias para contar, e provavelmente em 120 versões bem diferentes! Essa foi a minha!

Obrigada aos meus companheiros de equipe, Miguel, João Pedro, Nando e Renato, sem vocês o desafio não teria o mesmo sabor. Obrigada Anita, Zé e João Pedro pelo chá e amizade.


Last but not least João Marinho; obrigada por reunir tantos malucos dividindo esse cenário lindo conosco. Por proporcionar a mistura mais incrível que há: Bike e amigos.
E principalmente por deixar a maluca da sua namorada sair para pedalar à uma da manhã!
Life is good!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Mountain Quest - Here I go!


Agora em Amarante a temperatura é outra. Meu Deus como faz frio nessa terra!!!

Aqui estou eu para encarar o “tal” Mountain Quest.
A missão agora é montar uma bike, arrumar luz e muuuitas pilhas porque 10 horas de luz não serão suficientes para escalar 3 serras e pedalar 164 km com 5 mil de acumulado. Uiiii!
Fiquem aí, irei postando todos os acontecimentos.
Para ter uma idéia detalhada do Mountain Quest clique aqui.

sábado, 21 de janeiro de 2012

MOUNTAIN QUEST - O Desafio de João Marinho

"Dia 28 de janeiro, eu vou pedalar 164 km com 5 mil de ascensão! Quem quiser pode vir junto, mas já vou avisando eu não vou esperar ninguém!"_ foi mais ou menos assim que João Marinho lançou o Mountain Quest, um desafio para qualquer um que quisesse morder a isca.

Em menos de um mês os adeptos a loucura já ultrapassavam 100 pessoas. Confesso que até eu do outro lado do oceano fiquei tentada em participar da "brincadeira" em Portugal.

No final de semana que vem em Amarante, cento e poucos loucos se reunirão para pedalar rumo as três serras de amarante (por sinal as mesmas três que fazem parte da Douro Bike Race uma prova que acontece em setembro) Alvão, Marão e Aboboreira.

O percurso será compartilhado no gps, e cada um deverá seguir em seu ritmo e cuidar da sua própria logística e sobrevivência.

Como se não bastasse o desafio da distância e escalada, os participantes ainda irão enfrentar o frio rigoroso do inverno português. A todos que fazem parte do grupo; boa sorte!

Semana que vem volto para contar as histórias dos sobreviventes!

Quer saber mais sobre o MOUNTAIN QUEST? Clique aqui.