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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Mountain Quest 2015 - Palavras de uma largada

É difícil estar aqui para falar do Mountain Quest, não é fácil para nós continuarmos o sonho sem seu criador. Muito menos tentar fazer seu papel.

Na edição desse ano estamos trilhando um caminho novo. É o começo de um novo track que desbravamos sem saber onde vai dar.
Agradecemos à todos os que estão aqui e seguem conosco.

O João aqui agora certamente estaria falando de seu amor pelas montanhas, de sua paixão como fazia incansavelmente

Mas sem ele aqui, fomos obrigados a virar uma chave e agora ao invés de individualmente pensar como cada um de nós, pensamos com a cabeça dele, são inúmeros João Marinho que estão por aqui, na forma de atletas e na forma dos staffs.

Nós compartilhamos o mesmo amor e sonho. E hoje não é apenas nossa paixão pelas bikes ou aventuras que nos trás aqui mas também nossa paixão por ele.

Um homem que nos ensinou a amar a vida, viver apaixonadamente e perseguir nossos sonhos.

O Mountain Quest e todas as competições criadas pelo João são assim; não são uma simples prova, é a partilha de um amor, de dividir o que se sente ao estar no meio da natureza, nas montanhas mágicas de Amarante.

Em nome da organização e como alguém que vive das mesmas paixões, peço que levem consigo desse final de semana, o que o João sempre nos ensinou.

O Mountain Quest além de uma prova feita para redefinir os limites é a união de amigos, o amor pelo esporte e pela natureza, a celebração da vida.

Agradeçam o presente e façam a vida valer.
Sempre!
Te amamos João Marinho!


domingo, 14 de junho de 2015

Finalmente Amarante! * bike trip Day 4

"Luis, você vai mesmo me encontrar?"
"Vou, vou!"
Assim eu poderia desistir de amarrar todos os meus pertences na bicicleta porque teria alguém para carregar a minha mochila na peregrinação final à Amarante.
Combinamos na ponte pedonal da Régua, e depois de um delicioso cafe da manhã com direito a um lindo bilhete de boa viagem dos anfitriões, segui para o encontro.

O percurso até a Régua era só descida e logo no começo peguei um downhill em singletrack técnico delicioso! Comecei o dia delirando.
Cheguei na ponte antes das dez, me abriguei do vento e frio a espera de meu amigo.


10:10, 10:15, 10:20. Vou seguir sozinha ele sabe mais ou menos meu caminho...
Comecei a subir a Régua. Absolutamente maravilhada com o lugar, lembrei da viagem de caiaque que fiz com o João, e de muitos momentos no Douro. Realmente um lugar impressionante, sua beleza choca!


Com a mochila em cima da bike, empurrando e xingando o Luis de tudo quanto é nome. Quando olhei as possibilidades de track, vi que certamente nos desencontraríamos, eu não estava no caminho mais obvio e as possibilidades eram diversas.
"Ai Meu Deus!"
Foi aí que tive a brilhante ideia, resolvi pedir ajuda externa e chamei meus bisavôs:
"Andem lá! Tragam o Luis aqui, porque eu não aguento mais carregar essa bike e mochila, desse jeito não vou chegar a Amarante nunca!"

Avistei um restaurante e decidi parar; frango com batatas fritas! Ah as batatas fritas de Portugal... são fresquinhas e feitas na hora! Deixei a minha bike encostada numa esplanada fora. Poucos minutos depois quem aparece?


"Brazuca, mudei meu caminho, teves é muita sorte de eu te encontrar!"
Assim depois do almoço tive a tão sonhada mochila carregada e uma doce companhia para me trazer de volta a Amarante.
...E se querem saber a verdade; nunca foi sorte!



sábado, 13 de junho de 2015

Antepassando Guarda à Queimada * bike trip Day 3

Fiquei em um apart hotel na Guarda que era de uma senhora de 82 anos, cheia de energia administrava tudo quase sozinha. Me senti num castelo! Mas muito bem acolhida.
"Quando vieres para esses lados venha nos visitar."
Saí cedo para mais um dia longo de pedal.

O plano era pedalar bastante para deixar um menor trecho para o dia seguinte.
Com 20 e poucos quilômetros de pedal cheguei a Freches, lá parei em um café para me garantir, afinal o dia anterior fora sem jantar.


Com pouco tempo de pedal a corrente arrebentou de novo, mas nada que minha super tesoura e mais uma pedra do caminho não resolvessem. Essa eu dedico para quem acha que pedras no caminho só atrapalham! =) Bike arrumada de novo!


"Para onde vais? E andas sozinha?"
Já consegui identificar uma verdade; quando no google maps da para escolher a rota de bicicleta ninguém acha estranho uma viagem de pedal sozinha, quando no google maps o máximo que encontra é uma alternativa de rota a pé, pode ter certeza choverão perguntas.
Adoro responder! O papo flui gostoso com os simpáticos portugueses.

"Então vais ter que passar por Trancoso! Até lá é uma picada!!!"


Sai do bar disposta a descobrir o que seria a tal picada, no meio dela já estava querendo voltar para baixo. Escalando a montanha por uma trilha cheia de pedras no meio de nada e longe de tudo. Coloquei a pesada mochila sobre a bike e segui assim empurrando sem pressa até o topo.

Passando por mais uma pequena aldeia, outra conversa curiosa com uma senhora:
"De onde eres?"
"Eu sou do Brasil."
"Pois falas muito bem português!" (:)!) "E vens sozinha?"
Ai se a Sra soubesse a afronta que ela estava a fazer aos meu tios e bisavós!
"Não. Estou com Deus."
"Então vais pagar multa porque a bicicleta é só para um!"

Mais para frente pouco depois das duas da tarde achei um café / restaurante. Inacreditável?! Seria mesmo um restaurante na minha rota? Não era miragem, e poderiam me servir.
Comi sopa, um bacalhau e de sobremesa baba de camelo (essa eu não conhecia) e ainda pedi azeitonas extras para levar na minha viagem.
Segui com sorriso de orelha a orelha.


O percurso mais uma vez estava incrível, e as velhas construções, muros de pedra e fontes datadas de 1900 o tempo todo faziam sentir que meus tios e avôs seguiam comigo, eu até podia ouvi los discutir, o tio Francisco falava em minha defesa e meu bisavô abanava a cabeça dando razão aos portugueses espantados que perguntavam se eu viajava sozinha.


O dia foi longo. Tinha poucas alternativas de parar para dormir era ou 8 ou 80 então tive que seguir para os 80 de pedal. Chegando em Queimada super cansada passei na frente da pousada que tinha pesquisado. Chamei, depois de alguns minutos aparece uma senhora.
"Ai menina! Os donos não estão, espera um pouco que vou telefonar."
Antes mesmo de alguém atender eles chegam à casa:
"Nossa sorte que teve! Não íamos vir para cá hoje, nós moramos na Régua. Claro que pode ficar aqui sim!"

Numa pousada "Casal Viúva" com poucos e lindos quartos me instalei. e depois de um banho quente que estava precisando após as quase 10 horas de viagem, desci convidada pela família para jantar. Conversa regada a muitas perguntas e trocas de experiência. e vivência.
Fui deitar tarde e feliz!


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Peregrinando! Navasfrías à Guarda * bike trip Day 2

Acordei arrumando a corrente da minha bicicleta. Dessa vez não precisei da pedra porque tinha as ferramentas do dono da casa rural, mas ainda assim precisei da minha tesoura.
A saída do pequeno vilarejo de Navasfrías já foi por vielas de terra, e o percurso seguiu assim 80% do dia.


Não demorou muito cruzei a fronteira de Portugal. Me senti em casa. Comerçaram os vilarejos feitos de pedra, as fontes de água pelo meio do caminho, pequenos paralelepípedos, estreitos caminhos. O paisagismo variado dos campos verdes, plantações e campos amarelos de trigo me trouxeram uma paz que me fez esquecer o peso da mochila e o destino, estava ali a passeio e o mundo parecia todo meu.

Minha alma é mais portuguesa que francesa ou holandesa, talvez meu bisavô esteja mais carregado nos genes dos que os outros, ou talvez fossem os passarinhos, um caminho inóspito ou o dia, o fato é que estava totalmente conectada com o caminho.
De alma cheia.


Passei por muitos Vilarejos e claro que em nenhum deles tinha restaurante, só cafés. Num deles que perguntei se tinha comida e não conseguia parar de olhar para o prato bem servido que esposo da dona do café comia. "Batatas!" Como eu queria uma batata e um peixinho.

Sem sucesso depois de uma coca- cola, segui viagem comendo o pouco que levava comigo; salgadinho, balas e azeitonas. Só fui conseguir almoçar no destino final Guarda, uma cidade grande (levando em consideração os vilarejos, não são Paulo!) Depois da parada no Mc Donalds (não me recriminem) resolvi achar um hotel um pouco afastado da cidade. Sessenta quilometros rodados em um caminho mágico. Que amanhã seja igual!

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Plasencia à Navasfrías * biketrip Day 1

Saí de Plasencia as nove da manhã, ainda sem muita vontade de pedalar. Meu corpo ainda estava sentido o peso do Xterra. Eu tinha planejado pedalar ao redor de 50 e poucos quilômetros levando em consideração experiencias anteriores e condição física atual.


Dessa vez sem a Brava e com a minha mountain bike Rose Rocket teve que ser diferente; toda a carga seria levada nas costas, até que para quem veio competir e pretende passar quinze dias por aqui consegui me comportar muito bem montando uma não tão pesada mochila. Obvio que optei por arriscar e não levar ferramenta nenhuma de bike, tudo o que eu tenho é uma tesoura e olha que eu pensei em abandoná la ao sair do hotel, depois mudei de ideia porque pode ajudar em alguma emergência. Se pudesse escolher prefiro pedalar uma bike muito pesada do que ter que carregar tudo, mas como não tive escolha, segue!


Mais uma vez baixei a rota no Suunto para ter liberdade de saber o caminho sem ter que depender de ninguém. Dessa vez escolhi uma rota a pé nas opções do google considerando que poderia passar com a bike em todos os lugares.


A primeira estrada já me deixou feliz, com pouquíssimo movimento de carro e paisagens bonitas me levando a mudar o astral de quem não estava querendo pedalar. Seguindo o Suunto o caminho me mandou para dentro de um parque; estrada de terra com árvores verdes dispersas em campo amarelo. Lindíssimo!


No meio do parque sem aviso prévio a corrente arrebenta e cai no chão. Eu olhei para trás meio desacreditada que isso pudesse estar acontecendo. Otimista de plantão a primeira coisa que pensei "Ainda bem que isso não aconteceu no meio da competição" em seguida vem o pensamento realista "Como vou arrumar isso?"


Lá estava eu e ela cara a cara: "Santa tesoura!" Eu demorei um tempo para conseguir me entender com a corrente e depois com ajuda da minha unica ferramenta finalmente reencaixei, ai foi só achar uma pedra e bater na corrente para fechar. Claro que no primeiro momento eu coloquei ela errado na bike e quando sai pedalando o barulho esquisito me dizia que era melhor eu rever o concerto. Pronto! Depois da parada obrigatória segui viagem pedalando bem de leve para não forçar nada.


Não demorou muito cheguei em Villasbuenas de Gatas o vilarejo que tinha planejado ficar, mas a casa rural que tinha marcada no google maps não estava ativa, como era cedo e o vilarejo era bem pequeno abasteci de água na fonte da cidade e segui para encarar a serra.


Uma cadeia de montanhas fica na divisa de Portugal e Espanha nessa região que estou por isso havia planejado para parar antes, a serra no final do dia com o acumulado poderia doer. Como os dias escurecem as 10 da noite tinha bastante tempo para subir com calma. De fato foi o que fiz; saí da bike coloquei a mochila chumbo (pois é o tempo passou e revi meus conceitos) em cima da bicicleta e fui andando calmamente. A montanha demorou muito para terminar mas minha alma estava em paz.


O segundo plano de ataque era El Payo, mais um pequeníssimo vilarejo, que descobri ter uma casa rural e guiada cheguei ao local:
"Boa tarde, a Sra. é a responsável pela casa? Posso dormir essa noite?"
Com pouca boa vontade a espanhola me respondeu:
"A casa está ocupada. Mesmo assim eu não alugo para uma noite."
Eu já tinha entendido na primeira frase, a segunda resposta gratuita só me fez imaginar que poderia vir a terceira: "Dorme na rua, bitch!" mas antes que isso acontecesse agradeci, montei na bike e segui mais doze quilômetros rumo a Navasfrías.

Quase as sete da noite já perto do meu limite cheguei a mais um vilarejo. Dessa vez tinham placas de duas casas rurais. Bati em uma delas e ninguém atendeu, ai me informaram que os donos do bar da cidade eram os mesmos, então fui ao bar. No caminho a minha corrente voltou a arrebentar, sem arrumar segui a pé.

"Boa noite, me informaram que poderia ter informação das casas rurais aqui."
Outra senhora tão simpática quanto a primeira me responde:
"As casas são do meu irmão e ele não está, não há nada que eu possa fazer. Você pode tentar o próximo vilarejo."
Havia mais pessoas no bar que me olharam com cara curiosa.
"Mas não existe nenhuma opção aqui?"
"Não." novamente sem boa vontade.
"Bom então eu vou dormir na rua mesmo porque não posso mais pedalar."
Pedi uma Coca-Cola e a senha da internet para ver se tinha alguma luz. Nesse meio tempo imagino que alguém se sensibilizou e conseguiu amolecer o coração de pedra da mulher.
"Vou tentar falar com meu irmão."

Felizmente o dia acabou bem e suas filhas fofas me acompanharam de patinete até a linda casa rural. Em Navasfrías com sabor de doce imprevisto, termina o primeiro dia da aventura de pedal rumo a Portugal. Amanhã tem mais!


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Uniforme ficando pronto para o Havaí!

Há quatro anos que a Cofides faz os uniformes da equipe Flower People.
Há quatro anos que Pedro atende nossos pedidos de última hora e se desdobra para conseguir realizar os desejos exigentes da dupla cor de rosa! 
Como sempre tudo dá certo e os modelitos ficam incríveis!
Cofides, obrigada pela eterna paciência e por disponibilizar os uniformes mais lindos e duradouros de competicão!
Que venha o Havaí!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

DOURO BIKE RACE - 3 DAY Serra do Alvão

A Serra do Alvão veio para selar o sofrimento dos que largaram para mais um dia de competição. O calor que fez no dia agravou ainda mais as condições da etapa longa que deixou vários pelo caminho.

A Douro bike race consagra se por isso; é uma prova dura. Ponto.
Tem que ter treino e é preciso ter cabeça para sofrer. Por outro lado agrega uma grande experiência na bagagem de atleta e proporciona uma vivência espetacular e unica.

Mais um dia espetacular em estar na meta esperando os últimos a cruzarem, e seguindo o ritual que criou se o ultimo colocado era recebido com muita festa e champanhe!
Aos que sobreviveram a mais uma dura etapa ainda restava um dia!








terça-feira, 18 de setembro de 2012

MOUNTAIN QUEST...

DOURO BIKE RACE -2 DAY Serra do Marão



O segundo dia da DBR marcado pelo primeiro longo estágio começou sobre a ponte São Gonçalo.
Difícil traduzir em palavras o que foi presenciar tal largada; O Sol da manhã iluminava a igreja e o pórtico, a ponte ainda escura foi ficando colorida a medida que os atletas iluminados preenchiam seu espaço.
Após um prólogo em festa estava na hora de sofrer um pouco; os atletas que não conheciam a DOURO BIKE RACE começaram a perceber o que vinha pela frente.

90 k numa altimetria bastante exigente, com trilhos em singletrack e muita pedra por todo o percurso. Tudo isso abençoado por uma paisagem de tirar o fôlego, literalmente.
O João e eu acompanhamos de perto toda a prova, largamos no jipe do Monteiro e depois ainda fomos do topo da serra do Marão até as margens do Douro de helicóptero para tirar fotos e acompanhar os atletas, confesso que eu tenho mais medo de andar no jipe...(Desculpa, Monteiro!)

Depois do longo passeio era hora de esperar os atletas na meta. Cansados mas com um sorriso grande de satisfação muitos reclamaram da ultima parte em singletracks, por mais incríveis que fossem os trilhos, a maioria já estava na expectativa de chegar.
Pois é pessoal como diriam as inúmeras plaquinhas espalhadas ao longo do percurso: "This is DOURO BIKE RACE."






MOUNTAIN QUEST - 160 k


Feita por mutante para mutantes. E ai dos mortais que ousarem a fazer...

terça-feira, 10 de julho de 2012

O que está por vir Douro Bike Race 2012 Serra do Alvão


Fazer a segunda etapa do Alvão na Segunda feira levando em consideração que nós tínhamos demorado 12 horas para fazer o Marão no sábado não me soava como uma boa idéia.
Como diz o ditado carioca: “Passarinho que acompanha morcego acorda de cabeça para baixo!”.


“Eu não quero pedalar 12 horas de novo!” _a mortal.
“Não se preocupe, não serão 12 horas!”_ o mutante, obviamente nesse momento ele estava mais uma vez usando sua própria referencia; “Que diabos 12 horas?! Quem demora 12 horas para completar 90 km?”


Nem preciso contar para vocês que o passarinho aqui começou a chorar no quilometro 6. E você me pergunta:
“No quilometro 6?”
Eu te respondo:
“Isso mesmo no quilometro 6, e digo não é fácil acompanhar João Marinho no pedal, quem já teve o desprazer de tentar sabe bem o que eu estou falando, depois dizem que levamos com o homem da marreta! Eu vou te dizer, o agente J. é o homem da marreta!”



Enxugando as minhas lágrimas com toda a paciência do mundo me disse que me levaria apenas até o rock garden, que era uma parte do percurso que eu estava ansiosa para ver. Nesse momento tivemos uma brilhante idéia; E se pedíssemos ajuda para os universitários?
Rapidamente o João pegou seu celular e postou no Facebook

“A situação é a seguinte: estou com a Luli na serra do Alvão, ela tá quebrada e precisa vosso apoio. Estamos no km 12 e são 90km da etapa 2 da DBR. Quantos mais comentários, mais kms ela faz! Bora lá comentar? Cada comentário vale 1km”



Em poucos minutos já tínhamos quase 40 comentários, a partir daí eu já estava pensando com é que eu ia fazer para seguir já que provavelmente a postagem atingiria 90 comentários. No final do dia foram quase 150! Aí eu lhes pergunto: “É assim que vocês me consideram? Me obrigando a pedalar 90k com o mutante, vulgo homem da marreta?”


João me explicou o percurso, com montanhas tão visíveis fica fácil identificar em que parte da etapa nós estamos. Nessa etapa não existem os malditos cata-ventos brancos, nela o principal referencial é o morro da Nossa Senhora da Graça. Claro que 60 k depois o nome do morro foi alterado!


O rock garden é uma parte saborosa da DBR para quem aprecia técnica. Eu mesmo me deliciei com alguns trechos, em outros desci da bike, não tanto pelo medo das pedras, mas a lateral da trilha tem um “precipício” e isso atrapalhou minhas idéias.


Fui posta à prova fazendo todas as etapas da competição que será em setembro, desde a primeira etapa eu aprendi algo e pude contar para os interessados; aprendi lidar com o calor, a nunca olhar para o topo do morro que é sempre para lá que a gente vai, aprendi que todo percurso deve ser respeitado. O que eu ainda não tinha aprendido era que eu tinha que me cuidar para não ficar assada.


Embora tenha feito algumas competições em estágio isso nunca tinha me acontecido, e depois do meio do percurso a situação ficou grave.
“A tragédia de um dia da nossa vida tem potencial para virar comédia no dia seguinte.”


Na hora não teve graça, ouviu Nossa Senhora? Não teve graça nenhuma eu ter que andar algumas subidas com o calção no joelho rezando para não aparecer nenhum pastor. Não teve graça também em ter que trocar de bermuda com o João (isso é que é namorado!) para ficar com uma roupa menos justa. Na hora não teve graça em ter que ligar para o Luis Leite ir de encontro a nos trazendo pomada.
Enquanto isso choviam comentários no facebook! Foram quase 30 k pedalados em pé graças a vocês meus amigos.


No final do dia o por do sol, a lua que nascia quase cheia, intensificados pelo meu sofrimento deixou aquela tarde vívida na minha memória. O silencio de espírito, o sorriso banhado a lágrimas de satisfação em ter completado a etapa, e não ter demorado 12 horas, ter demorado quatorze!


Quando chegamos a extremos a vida toma uma proporção diferente, nosso referencial muda, depois de tudo isso um banho e uma Coca- cola bem gelada e a vida tem um sabor muito mais especial.


Amigos, aproveitem a Douro Bike Race, ela foi feita com muito amor e carinho para que todos possam viver 4 dias intensos que ficarão na memória vívidos e coloridos.
Love the ride!


Quer saber mais sobre as etapas? leia no blog da Douro, lá o mutante conta tudo tim tim por tim tim!