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terça-feira, 31 de julho de 2012

A concentrada travessia da SERRA FINA


Confesso que não fiz a lição de casa. No meio de uma turma grande de entusiastas pouco me preocupei em saber os detalhes da aventura, Diogo já tinha acertado o plano da expedição.

Só depois fui saber mais sobre a travessia; A Serra Fina fica na divisa de 3 estados: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Leva esse nome porque é possivel seguir pela crista estreita de sua cordilheira e apreciar a incrível ampla vista. Nela o Pico da Mina, o quarto maior do Brasil com 2718 m de altitude. Normalmente essa travessia é feita em três dias (detalhe que eu não sabia disso até colocar o meu tênis) nós saíamos para uma jornada longa que pelos cálculos do lider da expedição demoraríamos em torno de 14 hs.



Acordar bem antes das quatro da manhã não foi uma tarefa fácil tendo ido dormir a meia noite. Grupo formado: Bia, Bruno, Bianca, Carcaça, Dri, Diogo, Lilian, Marcão, Sidney e eu.


Saída para a famosa travessia a entrada da trilha "Boca do Lobo" fica bem perto da pousada onde estávamos hospedados. Quatro e meia da manhã sob o céu estrelado seguimos rumo ao primeiro morro o Capim Amarelo.


O horário de sono não intimidou a turma animada que seguia deslumbrada com a aventura. Nas paradas para juntar o grupo apagávamos o head lamp e fazíamos silêncio. Pouco antes do amanhecer aproveitando os sinais de claridade desliguei as luzes e acelerei o ritmo para conversar com a montanha. 


Aprendi que a natureza funciona assim; seja no mar, ar ou terra é preciso pedir licença para entrar. Fiquei a sós. Aproveitei o momento não só para pedir permisão mas para me sentir parte daquele paraíso que estávamos entrando.


O amanhecer estava especialmente mágico, já com bastante altitude era posível ver a cordilheira e uma névoa branca que cobria os vales bem abaixo de nós. Atingimos o primeiro cume com 3 horas de caminhada, lá encontramos com o dono da pousada que pernoitava em barracas com mais dois aventureiros. A Bianca decidiu que retornaria com eles para baixo,  nosso grupo agora tinha nove pessoas. 


Maurício apontou o famoso Pico da Mina que parecia estar  tão perto, talvez em distancia até estivesse. 
Seguimos pela crista das montanhas num sobe e desce até o Pico da Mina. Estávamos com apenas 10 k e 6 horas de trekking, era possível ter uma boa amostra do que vinha pela frente.


No cume mais pessoas acampando (essa seria a segunda parada para aqueles que fazem a travessia em 3 dias) Uma parada para escrever no livro de assinaturas e siga! Depois do Pico da mina a descida é para o famoso Vale do Ruah, aonde está um dos dois únicos pontos de água que a travessia toda possui. Ali  fomos apresentados ao nosso pesadelo; o tal capim (ainda não descobri se é capim elefante ou de anta, mas enfim o nome não importa) assassino!


O visual para quem assistiu lembrava o filme Gladiador; uma área que parecia não ter fim coberta pela vegetação que escondia a trilha, o que e quem estivesse na frente. O primeiro contato com o capim foi divertido, era novidade e mesmo com mais e dez horas de trekking os tombos (porque pisávamos nas touceiras sem ver) ainda eram engraçados.


Eu fiquei entre a cruz e a espada; não aguentava mais meus braços castigados pelo incessante passar das lâminas finas do capim e sofria com um princípio de desidratação, não queria arriscar mais e colocar os manguitos. 

No final da travessia não eram apenas os braços que incomodavam, eu já não aguentava nem ouvir o barulho do contato do meu corpo tentando passar pelas trilhas cobertas. Não pensem que a tortura parou por ai, a Serra Fina possui um bambuzinho que também castiga seus desbravadores.



Chegamos ao Pico dos 3 estados, aonde a divisa se encontra. Lá foi possível passar um rádio para o dono da pousada para que ele providenciasse nosso resgate. Com um cálculo de tempo bem otimista disse que em 1.30h estaríamos diante de cervejas geladas.

Sem considerar que poderíamos nos perder, que foi o que aconteceu. Já estava escurecendo  o que tornava a navegação difícil, Diogo seguia com o gps e o Marcão com o mapa. Eu já não tinha mais energias para nada, quando a trilha não aparecia aproveitava para sentar no chão e tentar me recuperar um pouco.




Fazia tempo que não passava por perrengues como esse: "Meninos sabem aquela vontade que eu estava de fazer um Ecomotion? Acabou de passar!" Aquele nobre e famoso momento do "que raios eu estou fazendo aqui?" mais uma vez tomou conta de toda célula do meu corpo.


Enquanto isso a Bia alucinava ao meu lado: "Um carro! Estamos salvas!" era um arbusto de hortências. A situação estava ficando grave, e pelo visto não era só para mim.


Headlamps acesos passamos por um hotel abandonado, tudo meio fantasmagórico quando depois de "bater a cabeça" para achar a trilha, alguém descobre um caminho para seguir. Quinze minutos andando e acreditem; batemos exatamente no mesmo local. Sinistro!
Finalmente achamos a trilha que nos levaria até a estrada onde a van estaria nos esperando, agora com cervejas quentes?




Foi um trekking de gente grande num grupo bem homogênio; uns recém chegados de Ecomotion, outros se preparando para provas duras como o Mont Blanc. O ritmo de todos se manteve bom até o final, o meu ritmo nas últimas horas foi o mais fraco da turma.


"Meu Deus! 27 k em 17 horas! Foi o trekking mais duro que já fiz na vida." provavelmente os nove pensavam na mesma coisa enquanto felizes entravam na van. 


Obrigada à todos vocês pelas 10 primeiras horas de trekking, semana que vem (seguindo a lógica da cabeça de corredor de aventura) prometo agradecer pelas horas restantes, quando o capim e o sofrimento extra tiverem dado lugar as lindas vistas e intermináveis risadas compartilhadas. Valeu!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

HAKA RACE - PASSA QUATRO

Segunda etapa do Haka, uma corrida de aventura bacana, que eu corro com meu treinador Caco nesse ano.
Competir com a bandeira Selva tem o peso da responsabilidade. Eu não nasci para entrar numa corrida como favorita, quem nasceu foi meu treinador, que está no ranking top 10 das melhores equipes do Brasil. Ao mesmo tempo o fato de estar correndo com um amigo deixa tudo mais fácil.
Sábado as 10 horas da manhã todos alinhados no pórtico de largada.


Seriam 25 km de trekking com direito a uma parada para um rapel no meio disso e depois 25 km de bike.
Eu já larguei clipada no Caco, sem mochila e sem peso nenhum para me atrapalhar. Os primeiros quilometros dava para correr porque eram em estrada, mas não demorou muito e começou uma subida interminável. Subida é o nome do meio das provas organizadas pelo Léo. Eu nunca perguntei, mas no mínimo ele deve escolher a prova pela variação da altimetria local.


Antes de chegar no rapel, o primeiro vara-mato. Daqueles caprichados! Eu estou com os braços e pernas todos arranhados! Quando chegamos lá já haviam alguns atletas por ali, o Caco me deixou e desceu para me esperar lá embaixo. Logo entrei na corda e fiz o rapel numa cachoeira linda de 45 metros! Incrível! Antes de descer já fui pressionada por outras equipes que vinham atrás.
"Caco! Tá todo mundo lá em cima, bora correr!"


Ha quatro meses atrás eu passei por Passa Quatro quando estava fazendo a Bike Trip Campos de Jordão - Paraty com João e a gente tinha passado pelo mesmo túnel que era trajeto da prova. A medida que eu ia correndo tinha flashes das passagens de bike pelo mesmo lugar. O Caco levava headlamp para atravessar o túnel da Maria fumaça, então cruzar os 900 metros correndo no trilho do trem, foi um tanto mais rápido que atravessar com as bikes no escuro. rs!

Depois da escuridão, entramos na segunda grande subida, e nela o segundo grande vara-mato. Passamos por um PC que era da prova light e a staff  falou
"Nossa vocês foram os únicos que passaram aqui sem bikes!"
"Estamos indo buscar as bikes." respondi
Isso poderia ser um ótimo ou um péssimo sinal.

No final do morro o vara mato, ficamos uma hora nos desenroscando. E finalmente chegamos na transição. Para nossa felicidade éramos os primeiros! Navegação perfeita! Finalmente bike!


Tínhamos deixado as bikes no dia anterior na transição e eu achava que seria impossível subir mais. Imaginado que dalí em diante seria um downhill de 25 km de extensão. Claro que foi um lapso de memória em não lembrar que a prova era o Haka!

Perguntando para uma local:
"Passa quatro tá longe?"
"Ta longeeeeee..."
"E essa subida?" _ Luli
"Ix! 10 anos!"

Quando eu e o Caco fizemos as contas de que nos conhecíamos apenas há sete, começamos a ficar um tanto receosos. E não é que a mulher tinha razão? Dez anos depois estávamos lá em cima.

Aí sim, tivemos o gostinho de descer. De sentir o vento na cara, curtir aquele visual maravilhoso de um dia caipira sob um imenso céu azul. No centro da cidade termina a nossa prova, chegamos em primeiro na geral!

Caco, eu disse e repito, muito obrigada pelo convite e pela confiança de saber que eu vou conseguir te acompanhar, mesmo que seja puxada...
Valeu New Balance, essa prova foi especial correr com o 101, o tenis de trilha mais leve que eu já tive!

Isso foi o sábado. Domingo ainda teve o Big Biker. Fiquem aí!