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segunda-feira, 8 de junho de 2015

relato Xterra Extremadura - Campeonato Espanhol

A área de transição estava em festa. Dez mulheres que competiam nos grupos de idade à vaga do mundial no Havaí. Das 10, éramos quatro da mesma categoria.


Houve uma conexão imediata entre todas. No meio de tantos homens, as poucas guerreiras dividiam experiências e sorrisos. Tinha Italiana, espanhola, austríaca, suissa...

A primeira saída foi dos prós, seis minutos depois a masculina dos grupos de idade e após quatro minutos finalmente nós mulheres.


A largada para nós foi as 12.40 hs Até agora estou tentando entender porque raios eles fazem a largada nesse horário, no auge do calor. O mais engraçado é que ser brasileira parece ser sinônimo de saber aguentar temperaturas altas:

"Eu não suporto calor, meu rendimento cai totalmente."
Em seguida vem a resposta padrão: "Mas você é brasileira..."
Como se ser alemão ou suíço desse algum credito maior anti calor.
"Sim sou brasileira, não suporto calor e tem mais também não sei sambar!"


Das 162 pessoas que largaram 161 estavam de neoprene. A natação no rio Jerte foi provavelmente a mais traumática de todas as experiências; destreinada, sem neoprene em gélida água doce eu via o grupo de mulheres se distanciar. Sai da água, após muita luta e provavelmente 10 minutos depois da ultima mulher. Minha fama estava feita.

Entrei no mountain bike ainda atordoada, saí pedalando forte porque tinha o corpo frio da água. O começo do percurso me deixou pessimista "Lá vem mais um pedal sem técnica." E de fato os primeiros quilômetros eram estradões ou singles feitos para girar.

Quando estava perdendo as esperanças o primeiro downhill técnico com pedras e dropes me arrancou sorriso do rosto, e nesse começo de prova deixei 3 mulheres para trás. o primeiro loop foi relativamente tranquilo, em alguns momentos era preciso descer da bike e empurra-la, trechos impedaláveis! O segundo loop tinha um uphill muito exigente e o calor estava castigando muito.


Ultrapassei mais uma mulher, que ainda lutou e ficamos disputando posição por um bom tempo. Depois do quilometro 26 eu já não tinha mais forças; a subida continuava e o calor piorava. Pedalei alguns momentos com Ceci, um senhor de 67 que exala bom humor, e mesmo com tanto sofrimento seguia cantando e fazendo brincadeiras.
 "Calor infernal." As palavras do briefing na véspera ecoavam na minha cabeça. No final da bike nem os downhills técnicos me divertiam mais, eu estava mais perto do meu limite, mas foi na corrida onde quase o ultrapassei ele.

Eu tinha duas informações: o depoimento do campeão do mundo de que a corrida era extremamente exigente, e alguém que me disse que subiríamos até as antenas.


"Venga Luli!" passou Ceci desta vez cantando garota de Ipanema.
"Ceci estou morta! Você jura que temos que subir até aquelas antenas?"
"Si!"
"Mas enconstar mesmo nelas?"
"Sim. Eu ouvi no rádio que uma brasilera estava mal, não é você né?"
"Sou a unica brasileira da prova."
"Falaram que ela estava tendo muita dificuldade na água."

Com esse comentário tudo que consegui fazer foi sorrir! Na água, na bike e agora na corrida, em nenhum momento a prova ficou suave para mim, mas o pior estava por vir. Ritmado Ceci se afastou me deixando sozinha novamente.

O calor dos infernos chegava dos céus e brotava do chão e piorava a medida que a subida ficava mais ingríme rumo ao topo. Eu parei em uma das pouquíssimas sombras que cruzei no caminho para tentar escutar meu corpo que gritava em silêncio.

"Será que descobri meu limite? Será que tenho forças para continuar? Será que devo continuar?" Nunca quatro quilômetros pareceram tão distantes.

"Venga! Já está quase mais um pouco você está no topo" Uma moça da organização vendo meu estado tentava animar.
Meu estado era tão ruim que nem na descida eu consegui correr. Tive que sentar mais uma vez.
"Você está bem?" o moto vassoura passava para checar.
"Não, estou morta. Você tem água?"
Aproveitei a ajuda para jogar mais água na cabeça e tentar baixar a minha temperatura corporal. Depois disso ainda parei mais uma vez ao ver o carro médico.


Quando avistei a catedral de Plasencia consegui correr novamente, nos dois quilômetros finais.
Comecei a chorar antes mesmo de cruzar o pórtico, ao passá lo me debulhei em lágrimas. Todo esforço tinha ficado para trás. Foram 6 horas e 20 de prova (No Havaí foram 4.47hs) segunda da minha categoria garantindo a vaga para o mundial pelo campeonato espanhol. Quem diria! Xterra agora a "Extrema dura" era história, uma boa história.

***
Me aproximando da tenda:
"Posso fazer massagem?"
"Você é aquela que nadou sem neoprene!"
***
Obrigada New Balance, Ready4, Suunto e à todo staff e organização do Xterra Extremadura.
Agora é beber a garrafa de vinho e ir até Amarante pedalando.
Não saiam daí!



sábado, 6 de junho de 2015

Xterra Extremadura Espanha - Pré Prova

Para minha surpresa quando cheguei no aeroporto de Madrid o fiz sozinha, minha bike havia ficado na escala em Lisboa!

Hermes e Fabian dois figuras da organização foram me buscar e tivemos que ficar fazendo hora até que finalmente as duas da tarde pudéssemos voltar para o aeroporto e pegar a bike que chegou dois voos depois.

Gravamos um "vídeo pedido",os dois tentaram fazer com que Ruben Ruzafa o campeão mundial montasse a minha bike, mas infelizmente hoje ele está ocupado.

Nesse meio tempo descobri várias coisas da prova amanhã; ela é a mais longa de todos os Xterras que fiz (até mesmo o Havaí) serão 1,5k de natação, 40k de bike e 10 de corrida.

Cheguei a Plasencia a cidade da competição no finalzinho do dia, uma cidadezinha há duas horas de Madri encantadora! (amanhã juro que posto fotos) Deu tempo de tomar banho montar minha bike rapidinho e ir ao briefing e pasta party.

O briefing começou com palavras que me assustaram: "Um grande nível de exigência mental." "Temperaturas infernais." De cara lembrei da prova do Havaí, com a diferença de que aqui o calor é seco, ou seja quando acha que está desidratando já está desidratado faz tempo!

A natação será em rio. Me perguntaram se eu tinha treinado para entender o que pode acontecer. Pra que? Temos que manter a tradição, nada de fazer percurso, já que vamos com emoção que seja tudo surpresa! Claro que eu deixei o neoprene em São Paulo, levando em consideração que daqui volto pedalando para Portugal, qualquer peso extra não é bem vindo, mesmo que seja para ganhar alguns minutos de prova.

Amanhã as mulheres são as últimas a largar, serão 4 largadas seguidas, saímos 6 minutos depois dos Pró. Ah! Ruben Ruzafa o Sr que se cuide!

Boa noite! Quem vem comigo?


domingo, 8 de março de 2015

Xterra Costa Verde - relato para Catarina

Catarina

Você resolveu nascer no dia da mulher, no mesmo dia marcado resolvi competir o short triathlon do Xterra. Pois é, eu sei, sua mãe bem que me queria na janela da maternidade para dividir essa espera maravilhosa.

Adrenalina da sala de parto, adrenalina sob o pórtico de largada.

Corri com seu nome escrito na minha perna e de unhas pintadas de cor de rosa. Acredita que só comecei a pintar unhas para competir? Foi sua mãe mesmo que fez minha mão da primeira vez. Hoje em dia muitas crianças já fazem isso, na minha época era proibido, mas não importa!

Torcida na maternidade, torcida na praia.

A natação foi mais fácil do que imaginei, depois que competi no Uruguai resolvi tomar vergonha na cara e treinar um pouco, claro que a roupa de borracha me ajudou muito
Eu estava ansiosa para usar a modalidade multisporte do meu Suunto, e logo que saí da água já troquei para transição. Perfeito!

Mari uma menina linda, como você deve ser, veio me dar apoio e me trouxe água enquanto apressada eu colocava a sapatilha.
Quando entrei na bike olhei para o seu nome na minha perna, acelerei. A essas horas você já estava arrasando corações na maternidade. Tentei enxergar o percurso através dos seus olhos; e agradeci o momento como se estivesse ali pela primeira vez.

O instante fez se presente.

Assim não fiquei tão brava quanto tentei passar uns marmanjos que não abriam na trilha. Tinha muita lama, o percurso com ótimos singlestracks mas que pelas condições do tempo muitos lugares não estavam pedaláveis. Ai um grupo simpático de homens abriu para eu passar pedalando e segui recuperando posições que perdi nadando. O mundo também é cheio de gente boa! Um deles me desejou feliz dia da mulher. Feliz mesmo.

Feliz como seus pais, feliz como os atletas.

O percurso da bike tinha vários trechos da corrida dos 21k que fiz ontem, mais curto quinze quilômetros passaram rapidinho. Logo estava na transição novamente. Quando cheguei lá me disseram que eu era a quarta mulher. Foi com tênis no pé, passos largos e determinação que passei a terceira colocada na corrida, exatamente o oposto que aconteceu comigo na ultima competição, dessa vez ao invés de ser passada, ultrapassei. Segui feliz de sorriso no rosto, escoltada pelas motos passei pelo pórtico de chegada em terceiro. Primeira da categoria amadora.

A Catarina chegou!

1:56 h de prova passou ventando! Pois é, pequena, a vida parece que passa assim; num minuto estamos no pórtico de largada no seguinte já estamos cheios de histórias para contar, então, minha amada, se eu puder te dar conselho viva ela com a consciência do presente, faça coisas que ame e agradeça todos os dias. Por fim, se for para pintar as unhas, que seja de lama!

Seja bem-vinda! Esse planeta é maravilhoso!
Amanhã estou aí, para te conhecer pessoalmente e entregar o seu troféu!


sábado, 7 de março de 2015

21k Xterra Costa Verde

















_ "Regis, você quer uma pacer?"
_ "Claro!"

Assim que decidi que iria correr o Xterra Costa Verde, no meio de uma planilha cheia de corridas (socorro!) para os treinos da maratona de Roma que vem logo ai!
O tempo estava perfeito para competir sem chuva e nublado.
A altimetria do percurso era pouca, o plano dificulta a vida. Mas a trilha tinha uns trechos ótimos de singletracks e lama.

Largamos em um pace acelerado junto com o pelotão da frente. Depois acompanhamos uns atletas engraçados que iam brincando com a ideia de não molhar os tênis nas travessias dos rios que teriam! Mal sabíamos, e quando chegamos aos rios nadar nunca foi tão bom; água de sobra para desaquecer os motores.

O Xterra seja no triathlon ou corrida sempre une várias tribos; corredores de aventura, corredores de asfalto, montanha e trilha. Sempre me divirto muito com as diferenças tão nítidas de vivencia.

_"Correr 21 aqui é mais difícil que completar uma maratona."_disse uma menina que nos passou nos quilômetros finais.
O que é bom para uns...

No quilometro 13 entramos no pista do campo de aviação. Gramado plano sem fim, que ia e vinha, aquele bate e volta que te faz pensar: "Sério?"
Aí o pace conjunto foi para as cucuias, a gente que estava se divertindo tanto nas trilhas no meio da mata não conseguiu encarar a monotonia de um "campo de futebol" sem fim.

Depois disso foi uma luta para continuar.
Hora de desviar a atenção para paisagem; a planície verde emoldurada por montanhas de mata densa e nuvens branquinhas e baixas. E os grilos que nos vastos campos não paravam de cantar!

Correr com o Regis, me tirou do "plano tosco". A corrida ficou ritmada desde o começo, meu corpo no final da prova ainda agradecia o ritmo adotado e me deixava com pouco de sobra para poder encarar o desafio de competir amanhã.

Incrível como energia compartilhada é energia dobrada. O tempo passou voando!
Em 2.39 hs com sorriso no rosto após um sprint final cruzávamos o pórtico de chegada!
Obrigada Régis pela companhia e amizade. Que venham muitas mais aventuras!
Agora é descansar que amanhã tem o short triathlon. Obrigada à todos que mandaram boas energias! VQV!





segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Xterra Atlantida - relato da prova


Os dias que antecederam a prova desde a chegada aqui no Uruguay me deixaram ansiosa de uma maneira diferente. Conviver com atletas de elite Alexandre Manzan e Andres Darricau me fez enxergar a competição de outro angulo, mais a pressão sem dolo dos organizadores da competição (uma brasileira competindo no Uruguay deveria ser de elite) me fez ir atrás dos meus tempos de todos os Xterras, estudei distâncias, analisei terrenos e depois de ficar bem preocupada  porque poderia decepcionar meus novos amigos, resolvi sair para meditar. Resgatar a minha essência de competir, relembrar porque estou aqui.

Manzan nos dias que antecederam a competição parecia deixar seu corpo em economia total de energia, vários cochilos diários, e enquanto aproveitava para dar mais um poucos minutos antes de largar, Andres tomava banho (para depois nadar?) eu pacientemente escrevia na minha perna nome de todos os amigos que me mandaram energias. Cada um com o seu ritual.

O dia estava ensolarado e contrariando os dias anteriores o mar estava um espelho.
_ "Que sorte que o mar está calmo!"_ Guilherme um brasileiro que fazia seu primeiro Xterra admirava se.
Eu pensava comigo "Sorte? Com tantos nomes na perna? Isso é energia!"

Encarando o mar da maneira que aprendi no Havaí em ritual de purificação; entraria nele com meus medos e sairia fortalecida. Claro que esqueci disso nas primeiras braçadas. Meu Deus! Como nadar me fez falta! Todos os Xterras que fiz estava não diria treinada, mas estava nadando. Ha mais de um ano que não nadava e isso iria me custar de novo o ultimo lugar na modalidade, ou quase.

Por sorte a a natação era menor do que a tradicional: 1200 metros com uma saída na praia, mais uma volta e o sofrimento chegaria ao fim. Subi as escadas correndo feliz para encontrar a minha bicicleta.

Hora de começar a diversão e recuperar posições. O trajeto divertidíssimo de mountain bike trouxe de volta os ânimos. Muito exigente fisicamente, algumas vezes era preciso descer da bike e empurrar no areiao, mas diferentemente de ontem o trecho de praia estava sem vento, Era preciso saber dosar a força e tentar aproveitar ao máximo as brechas de descanso porque não eram muitas! (leia sobre o mountain bike aqui)

O percurso de quatro voltas repetidas era ótimo para pegar todas a manhas de pilotagem e querer fazer melhor na volta seguinte. Enquanto me distraía com isso, o calor castigava e muito. A medida que as voltas iam passando minha energia ia acabando.

Entrei na corrida em terceiro entre as mulheres com uma desvantagem que dificilmente iria buscar.
O percurso da corrida era parecido com o da bike, trilha, areia e praia. Após a primeira volta tive que desviar o percurso entrar no mar para esfriar meu corpo, que já não estava respondendo.

Quando entrava para a segunda volta a quarta mulher ao me ver acelerou o passo, percebi que minha colocação estava em risco.
Quando cheguei na metade do percurso Lucía, uma menina que estava na torcida, de bike rosa e roupa cor de rosa resolveu me acompanhar, deixou sua bike com seu pai que me jogou água na cabeça e seguiu entusiasmada trotando ao meu lado. Por um minuto fechei meus olhos e deixei aquela energia deliciosa tomar conta do momento.

Pouco mais a frente perdi meu posto no pódio, fui ultrapassada no quilometro final da corrida, no momento tentei lutar e acelerar, mas logo percebi que não tinha forças. Segui então curtindo a minha mais nova amiga mirim que me acompanhava sem fazer esforço, assim de mãos dadas a "equipe rosa" cruzou o pórtico de chegada.

"Importante é competir" que nos ensinam desde pequenos, apesar de alguns tilts involuntários de minha cabeça, tem sua verdade sólida. Ali de mãos dadas à Lucía valeu a corrida, a amizade dela, dos aventureiros apaixonados por esporte Rubén e Frederica que concretizaram a experiência Xterra Uruguay. Valeu a energia enviada por todos os amigos, os dias de sol, a troca de vivência com atletas de alto rendimento, os dias de praia, Valeu Uruguai!

Parabéns Manzan pelo lugar mais alto do pódio!
Obrigada Rúben e Frederica e todos os uruguaios por nos receberem tão bem!
Obrigada Tom, mano, como sempre a bike estava redondinha!
Ready4 pelos treinos, New Balance e Suunto pela parceria!

Aberta a tempoarada oficial 2015 de aventuras!
Vem com a gente!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Mountain biking no Xterra Atlantida

Atlantida é um vilarejo pacato muito perto de Montevidéu. Uma praia longa margeada por uma vegetação árida, para nós brasileiros uma praia que não impressiona muito mas mesmo assim me encantei com o lugar. Uma paz que remete ao passado, onde o progresso parece chegar mais devagar assim como anda o tempo; com calma.


Fui extremamente bem recebida pelos organizadores da prova Ruben e Frederica me fizeram sentir em casa; teve até jantar de recepção para a mini turma internacional, meus companheiros de alojamento o brazuca Alexandre Manzan e o argentino Andres Darricau.


Mas vamos para bike: o percurso do Xterra poderia ser testado pelos atletas hoje, na véspera da competição, eu não sou muito de averiguar o que vem pela frente mas quando soube que seria em uma competição de xcountry, imaginei que pudesse me divertir.

A largada foi no final do dia após o triatlon promocional e o das crianças (que coisa mais fofa). O percurso são quatro voltas e a largada na famosa Águia "La Quimera" monumento turístico da cidade.
Quando pesquisei o percurso pelo site fiquei meio apreensiva por ser muito plano (lembrando aqui que assim os triatletas de asfalto levam vantagem) não levei em consideração que Ruben, o organizador da prova é corredor de aventura! Santa alma!

O percurso apesar de pouca altimetria é extremamente exigente com muitos trechos de areiao onde é impossível pedalar. De sorriso no rosto e língua para fora curtia desenfreadamente a primeira volta. Não há tempo de pensar na vida, troca de marcha, pedala na areia, troca de marcha faz o downhill, troca de marcha, sobre, desce da bike, pula o tronco, empurra a bike, carrega a bike...e ai quando chega na praia de areia batida achando que vai conseguir puxar no dos poucos trechos de reta vem um vento que quase te joga para traz. Resumindo Exigente e muito divertido!


Na primeira volta quando cheguei onde imaginava que tinha que virar tinha uma seta para a direita, o atleta da minha frente virou para esquerda, eu fiquei bem na duvida mas segui, mesmo porque não tinha entendido o sotaque rapido uruguaiano no briefing.

Conclusão; errei! Eu e vários atletas. Claro que só descobri isso quando dava a segunda volta, ai vem o momento da duvida; será que continuo e terei que dar a quinta volta já que perdi o posto de controle? ai decidi desacelerar e dar a terceira volta fotográfica para contar um pouco da história em fotos.






O lado bom é que já estou craque em todas as mudanças necessárias, de marcha, todas as vezes que é preciso descer da bike, empurrar, saltar e virar. Agora é descansar porque amanhã tem mais diversão! Obrigada a todos que mandaram boas vibes, amanhã vamos junto! Irrraaaaa!!!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

XTERRA Paraty - Relato de prova


Dois meses sem poder correr por causa de uma fascite plantar, uma lesão bem chatinha na sola do pé que parece não querer curar nunca. Focando em bike e stand up não parecia estar tão mal para competir o Xterra em Paraty e fazer um teste do quanto a lesão teria melhorado.

Sem nadar e sem correr eu poderia ter me inscrito na prova de mountain bike que abria o circuito do Xterra, mas minha paixão pelo multi esporte falou mais alto e às 9 horas da manhã estava sob o pórtico com mais de duzentos atletas.

Para minha sorte um bom trecho da natação dava pé então a estratégia foi golfinhar até que fosse obrigada a encarar a modalidade que literalmente me afunda. Não ainda não aprendi a nadar e não seria dessa vez. Xterra acaba sendo sempre uma prova de recuperação; é sair lá de trás, lá das ultimas posições e tentar recuperar o prejuízo.

A transição estava montada no centro histórico de Paraty o que obrigou os atletas a fazerem uma transição da natação longa. 
Sorte! Saí correndo da água com muita vontade de pegar minha bike.

Agora estava em “casa” aproveitar a modalidade que eu estava treinada. O percurso de mountain bike foi bem variado; tinha estradão, singles, asfalto, subidas curtas e duras, trilhas foi possível manter uma boa média.

O calor não dava uma trégua, castigava muito e como a maior parte do percurso era aberta, ia minando as forças. Só água às vezes deixa de resolver em situações extremas como essa. Fui salva por uma turma de adolescentes que tinha uma Fanta gelada em mãos.

A torcida animada reunida no centro histórico era um gás extra na hora de trocar de modalidade: estava pronta para encarar a fascite.

A corrida foi a minha grande batalha, nem pela lesão que não se manifestou durante o trajeto, mas pelo calor e percurso monótono. Um estradão que nos levava às voltas sem uma paisagem atrativa sob o calor castigante do meio dia.  Sete quilômetros e meio de pura tortura!

O plano tosco concluído com sucesso! Após passar o pórtico caí totalmente desidratada e sem forças. Fui a quinta mulher a cruzar a meta, primeira entre as atletas amadoras.

Obrigada aos meus patrocinadores, amigos e apoiadores em especial à Suunto pelo apoio a esse circuito!  Andre e Bia pela companhia e cuidado! Tom Cox meu mano que sempre deixa a minha bike tinindo!

Agora vou me comportar e voltar aos treinos de bike! Juro!

P.S. Pois é eu tinha terminado o relato e comecei a falar com Raquel, uma amiga minha que também adora um Xterra, e chegamos a conclusão que talvez o que encante do Xterra é que as distancias variam, a altimetria é completamente diferente de uma competição para outra; as modalidades são as mesmas mas sempre em condições adversas. Bem como os atletas, a colocação pode variar de uma prova para outra independentemente do treino. Quanto maior a habilidade de adaptação às mudanças de terreno e condições variadas de prova, melhor atleta!


Mais relatos do XTERRA (Búzios, Costa Verde, Ilhabela, Havaí)





sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

THANK YOU 2013


Hora de agradecer 2013!

#Gigathlon uma das competições mais malucas que já fizemos, para comemorar o ano multi esportivo a competição não poderia ser outra; mountain bike, road bike, corrida, natação e patins! Obrigada Pati pelo super apoio. Obrigada Dri, por essa, todas as que foram e todas as que virão!

#XterraWorldChampionship estar entre os melhores do mundo no Havaí foi uma experiência e tanto, dividir isso com amigos queridos deixou a vivência mais intensa.

#365SPORTS ...snowshoe, patinação, bike, yoga, pilates, esqui, bocha, boliche, ping pong, tênis, croquet, dardo, dança, sinuca, corrida de aventura, caiaque, hidroginástica, sup, squash, crossfit, sandboard, esgrima, basquete, slalon, triathlon, zumba, capoeira, flyboard, boxe, shuffleboard, motocross, surf, bóia cross, thai shi shuan, asa delta, speedminton, escalada, arco e flecha, wake....

O que começou como brincadeira de ano talvez tenha virado estilo de vida.
Sair da zona de conforto, por o corpo à prova. Testar e ser testado. Provar. Experimentar.

Obrigada!
À todos que dividiram, incentivaram, partilharam novos esportes novas experiências.
Aos que toparam vivencia-las também. Aos que me ensinaram.
Aos que apoiaram, patrocinaram.
Aos que dividiram suas paixões, apresentaram seus esportes.
Aos que relembraram, recomeçaram, voltaram.

Que o ano que vem seja a continuação de um começo, das descobertas, novidades.
Que seja intenso, excitante, gratificante. Para todos nós!
2014 vem com a gente!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

XTERRA Happy HALLOWEEN!

Se a competição não tivesse garantido a viagem, a festa de Halloween pós campeonato mundial garantiria.
Claro que foi muito divertido estar numa festa a fantasia, mas o mais incrível foi ver a produção e criatividade das fantasias, ver os melhores atletas do mundo curtindo a zona numa integração e confraternização na maior vibe havaiana! Aloha!


Conrad Stoltz, quatro vezes campeão mundial do Xterra e sua mulher Liezel.




Josiah Middaugh campeão americano do circuito Xterra, quarto no mundial 2013.

Shoony Vanlandingham campeã do Xterra Ilhabela 2013 e campeã mundial em 2010.

Happy Halloween everyone!

Xterra World Championship - Relato da prova

Antes mesmo do sol aparecer estava sentada na grama, no topo da Vila Xterra observando a organização dando os seus primeiros passos, escutando a bike e os atletas mais apressados seguirem para a área de transição. A competição tomava vida, enquanto eu absorvia a energia da harmoniosa manhã em Kapalua.

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Na praia, emocionada no meio de tantos atletas, no meio dos melhores do mundo:
 _ "Bia! Não fica melhor do que isso, aqui é o climax da nossa história Xterra! Meu Deus! Vivemos para estar aqui agora!"
Absorvendo aquela energia alucinate não poderia estar mais emocionada, pisando na areia branca sob o brilho do sol encarava o oceano cristalino que espantosamente  estava calmo tão calmo quanto minha alma.

Invadimos a roda de grito de guerra dos japoneses que sorrindo de nossa ousadia nos receberam de braços abertos e compartilharam seu ritual pré largada. O Havaí torna todas diferentes etapas classificatórias em uma só e as diferenças dos povos e culturas dissolviam se nas areias de Maui. Ali a língua universal é a paixão pelo esporte.

A largada foi em partes, primeiro as mulheres de elite, depois os homens e em seguida as mulheres amadoras. Entrei no mar sem pressa e logo estava dando as primeiras braçadas em direção a boia que parecia estar muito longe!

A natação foi absolutamente mágica. Parecia que estava num aquário gigante! A visibilidade impressionava era possível ver com clareza os atletas nadando a distancia, o fundo do mar, o azul reluzente e enquanto me distraía com o passeio ficava para trás. Mais um Xterra, mais uma vez eu seria uma das últimas a sair da água.

Após uma transição rápida e reabastecida saí preparada para o pedal que seria longo. Mesmo sem conhecer era como se tivesse feito o percurso, a Bia e os meninos tinham me preparado muito bem para o que vinha pela frente; um circuito travado cheio de curvas fechadas e muito exposto ao calor.


Endurance. Era assim que tinha decidido encarar o percurso de bike, sim porque não seria como as etapas enfrentadas no ano, pelas condições e altimetria era melhor estar preparada para o pior. Fui num ritmo superior ao que imaginava que conseguiria manter, pelo menos na primeira parte do percurso. Depois do segundo ponto de água comecei a sentir o calor e meu corpo reclamava.

Porque os percursos que nos fazem dar voltas nos deixam malucos? Consigo contar nos dedos todos os dias de competição que tive que andar as voltas já bem perto de onde devería chegar. O primeiro dia de Cape Epic, o ultimo dia de Transrockies. Lá vamos nós para mais uma voltinha no percurso sinuoso. Haja psicológico!

"Luli, os últimos 5 quilômetros são um single track sem fim." _ Era possível ver o hotel, as vezes ouvir o locutor. Ainda bem que Bia tinha passado todos os segredos do percurso.

Depois de muitas horas estava na transição para o ultima modalidade da competição. Entrei feliz para o trecho de corrida, sabendo que o pior já tinha ficado para trás. Na subida conseguia correr e ditar um ritmo bom.

Não demorou muito eu estava de volta a praia de Kapalua para os 200 metros finais de areia e a última corrida antes de cruzar o pórtico. Com 4'47 h de competição acabava o mundial de triathlon Xterra.

Obrigada Suunto que me introduziu num circuito tão divertido e competitivo. Bia e Andre por tornarem a experiência havaina muito mais colorida e divertida! Aloha!


domingo, 27 de outubro de 2013

Xterra 5 K trail run - Véspera do Campeonato Mundial


Vila do Xterra bombando logo de manhã, enquanto esperava o Andre e a Bia aparecerem desci para sentir o clima da competição que tomava conta dos gramados do Kapalua Ritz- Carlton. Primeiro dia oficial de competições do Xterra, atletas do trail run 5 e 10 k para todos os lados, endorfina no ar! Quando escuto o speaker:

"A largada da prova será as 9 horas ainda dá tempo de se inscrever."

"Nossa, em meia hora acho que consigo me inscrever, passar no quarto colocar um tenis e ir correr!"

Nos últimos dias que antecederam o campeonato mundial eu senti muita pressão, não sei se pelo grupo, pelas clinicas que participei com os prós ou ambiente, mas o fato é que eu estava colocando um peso que não costumo colocar nas competições que faço. Sou competitiva, mas sejamos realistas chegar em 658 ou 800 não vai fazer muita diferença.

Isso me fez mudar a chave, sair do "mode" competição e voltar para o diversão de onde nem sob pressão eu deveria ter saído. Numa situação normal sim eu iria entrar para brincar numa prova de 5 k na véspera do campeonato mundial e foi o que fiz.


Em meia hora me inscrevi para a competição, me troquei e estava sob o pórtico pronta para um treino de corrida. Pela primeira vez não poria o plano tosco em ação (plano tosco = corre para morte e torcer para cair depois do pórtico) eu tinha que encarar a prova como brincadeira. Não foi difícil de GoPro na mão e correndo no meio de tantas crianças e adolescentes.

Praticamente todo o percurso igual ao que será amanhã, assim já dava para testar o tênis, aquecer os motores, conhecer o terreno e sofrer na pele com o calor que iremos sentir. Metade subindo e metade descendo. Assim fui; curtindo o visual, me divertindo com as criancinhas que corriam que nem gente grande e com o Havaí!

Cruzei o pórtico de chegada e fui marcar meu corte de cabelo. Paul Mitchell é um dos patrocinadores oficiais da prova, tem uma tenda na vila Xterra onde é possível cortar o cabelo por 15 dólares e o dinheiro todo é doado para uma instituição!


No final do meu bem sucedido corte da cabelo estava começando a premiação da prova de 5 k. Quando anunciaram a categoria anterior da minha eu percebi que a vencedora tinha ganho com um tempo pouco mais baixo que o meu.

"Nossa, quem sabe isso dá pódio, segundo, terceiro..."

Quando anunciaram a minha categoria eu não tinha ficado nem em terceiro, nem em segundo:
"Em primeiro lugar de São Paulo..."
"São Paulo? Meus Deus! Ganhei a prova!" _ sorrindo espantada, correndo e tropeçando cheguei no pódio para receber a medalha e a vaga para o mundial de trail run do Xterra.

Amanhã acordo para o campeonato mundial de triathlon Xterra, sem saber se farei a prova em quatro ou cinco horas, sem saber se chegarei em 658 ou 800, mas com uma certeza absoluta: Eu vou é me divertir! Quem vem junto?


sábado, 26 de outubro de 2013

XTERRA - Dicas dos Prós

Depois de uma manhã de sol na piscina e um delicioso almoço com Bia e Andre era hora de aprender sobre o percurso e ouvir estratégias dos profissionais: (fica aqui o que mais gostei)

MOUNTAIN BIKE por Josiah Middaugh e Shonny Vanlandingham

- Use luva, calor úmido e muito suor fica fácil perder o grip.
- Hidrate-se muito, se for o caso use mochila porque facilita o acesso rápido à àgua.
- Pressão dos pneus (essa é a que eu mais gosto): ele usa 26 e ela 20psi (!) O percurso tem trechos com bastante areia e superfícies sem tração, muitas curvas fechadas em cotovelo, ai onde mora o perigo.
- Existirão alguns momentos no percurso de bike que só de estar em cima dela já será um grande feito.

NATAÇÃO por Branden Rakita e Christine Jeffrey
A palestra da natação para mim foi a mais curiosa. Na modalidade que eu menos tenho experiência, toda e qualquer dica foi bem vinda.

A água do mar é absolutamente cristalina é possível enxergar tudo, na edição do ano passado 3 golfinhos acompanharam os atletas.
O mar estava mais mexido do que se prevê para esse ano. (Após o rola que eu tomei hoje de manhã confesso que fico receosa em ter que entrar e sair da água duas vezes.)

- Procure a boia sempre que estiver na crista da onda. (como se em algum momento dessa prova eu estaria na crista da onda!)
-Areia: prepare se! você vai ficar cheio dela (eu que estava pretendendo correr de top e shorts mudei de ideia rapidinho, ainda mais depois da "pequena" amostra que tive pela manhã. Provavelmente daqui um mês eu ainda vou tirar areia de locais que desconheço.
-Não lute contra as ondas, a força da natureza sempre será maior: Go with the flow!
-Na saída do mar tente achar o timing correto, as ondas quebram já na areia (como em Paúba) muita gente no ano passado apanhou com isso.
-Não acelere na areia pois seu batimento cardíaco irá no limite, dose, uma prova dura como essa não será o que fará a diferença.

Próximo da competição você pode não ter mais tempo para treinar, mas tem tempo para criar estratégias de competição; como hidratação, alimentação e dosar seus limites para otimizar sua performance.Boa prova à todos!