quarta-feira, 8 de abril de 2015

SUP trip pelo Canal du Midi - Day 1



 O Canal du Midi é um canal artificial no sul da França que liga Toulouse ao oceano atlântico, tombado como patrimônio da humanidade além de suas pontes, eclusas e aquedutos incríveis ele tem mais de 4.000 plátanos plantados à sua margem. Esse é o cenário de aventura dos próximos dias.

Encontrei com a Pat em Perpignan onde é a sede da Redwood Paddle, uma empresa de pranchas de SUP. Lá fomos muito bem recebidas por todos! Eu já vinha ha dias combinando com Florent e tentando tirar eventuais duvidas sobre o novo plano de ataque.


Duas pranchas infláveis e dois remos, protótipos saindo do forno, novinhos prontos para testarmos nas águas francesas. A Pat já tinha  arrumado dois carrinhos para as nossas "portagens", eu já tinha o track no meu Suunto e ambas já tínhamos as margens du Midi bem estudadas.

Pegamos o trem das 11 que até Toulouse. Mesmo sabendo que só teríamos a alternativa de entrar na água no meio da tarde decidimos seguir com esse plano, não queríamos perder tempo em Toulouse.
O canal du Midi passa a 50 mts da estação e no meio da cidade arrastando nossos carrinhos carregados achamos uma ponte. Ótima base para montarmos nosso plano de ataque na calada do dia.
Pronto pranchas infladas e carregadas com nossa bagagem para os próximos dias!


"Vamos entrar na água!" Aquele medinho de não saber se podíamos fazer o que estávamos fazendo deu um sabor extra às primeiras remadas.
O Canal du Midi realmente é mágico!



Um hotel ha quase 20 km do ponto de origem. "Isso vai dar justo com a luz do dia." como os dias escurecem tarde sabíamos que tínhamos bastante tempo para remar mas ele era justo.
Com 10km de remo encontramos com a primeira eclusa. Já era 18.30 e isso nos fez por alguns momentos repensarmos o nosso plano, mas conseguimos wifi em um restaurante estrategicamente posicionado no nosso caminho de ataque e vimos que a opção de hotel era mesmo na vila que sabíamos Donneville. Seria preciso remar mais 8 quilômetros.

As portagens são muito trabalhosas, tirar toda bagagem e pranchas e remos da água andar com tudo isso até o outro lado e achar a melhor maneira de entrar de volta no canal. Mas como toda aventura o mais complicado (portagens, carregar as pranchas dentro do trem e andar quilômetros com o carrinho) é parte integrante divertida da experiência. Se fosse fácil, para a gente, não teria graça.

Quando saímos da água as 21 horas da noite já estava totalmente escuro, saímos ao lado de uma ponte. Eu logo quis ir explorar a área.

"Pat! nós estamos no meio do nada!" rindo já da situação que teríamos que enfrentar.
Mas minha companheira de equipe não se abalou, sai da prancha pegou seu celular e analisou o mapa. "O hotel deve ser para lá." e nesse para lá tinha uma placa que indicava no caminho escondida no meio dos arbustos. Andamos mais de um quilometro no silencio e sob um céu lindíssimo estrelado, o último quarto do hotel era nosso! Voltamos para a margem para resgatar nossas bagagens desinflamos as pranchas. O árduo caminho pela segunda vez até nossa base do dia teve como recompensa peixe e batatas de jantar.

Tudo melhor que o planejado!
Obrigada Redwood paddle, a aventura promete!


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Finalmente Perpignan! Bike trip last Day 13

Saber que o encontro com Florent seria só na terça me deixou um dia extra para pedalar, e tão perto do destino final a solução seria encarar mesmo os 95 km que restavam para a "área de transição". Combinei o hotel e ponto de encontro em Perpignan com a Pat e tracei a rota último dia de pedal.


Saí toda feliz em mais um dia ensolarado, só que estava gelado. Mais uma vez o google me jogou no meio dos parques naturais e dessa vez em um caminho que estava totalmente submerso. "E agora?"

Não sei porque mas há algo em mim que me impede de voltar, prefiro mudar a rota do que ter que andar para trás. Adivinhem para onde a alternativa me jogava? Mais uma vez para o push bike na praia.


Novamente no meio do parque natural perdida tentando encontrar o caminho para a praia me deparo com um homem de camiseta. Só de camiseta. Por uma fração mínima de segundo congelei, depois meu lento cérebro processou que estava numa área naturista (sabia graças a minha pesquisa prévia na internet)
"Por aqui está inundado disse ele."
E eu pensava: Age como se nada estivesse acontecendo!
_ "Eu quero ir para Saint Pierre de la mer."
Age como se nada estivesse acontecendo.Age como se nada estivesse acontecendo.
"Ah! Dá para ir por aqui." apontando o caminho.
Age como se nada estivesse acontecendo.Age como se nada estivesse acontecendo.
"Obrigada!"


O push bike dessa vez foi caprichado; numa praia de areia totalmente fofa, não tinha uma terra firme para andar. Foi uma briga de mais de uma hora para conseguir chegar do outro lado com a Brava.

Num momento de "não aguento mais" olhei a distância para o final da praia e de repente Os pirineus! Lá estavam eles nevados e soberanos! Sorrindo para mim. Amoleci na mesma hora e o esforço descomunal que estava fazendo para tirar a bike do lugar passou.


Depois que retomei o track entrei em outro parque lindo, pedalava por uma estrada com água dos dois lados, e num desses troncos na beira da estrada parei para o lanche habitual de pão com camembert.




Mais uns quilômetros e com quase 60 passei na frente de um restaurante, como sabia que a jornada seria longa parei para almoçar. Primeiro fiquei amiga do cachorro que estava no meu pé, depois foram os seus donos que estavam na mesa ao lado, até vinho eles me deram! Santé!


Hora de seguir viagem. O track me jogou por caminhos que nem dá para descrever. Incrível como o google maps sabe das coisas! Finalmente às 18.30hs após mais um dia longo de 95 km de pedal cheguei ao destino final que fora programado para a viagem de bike. Na recepção mesmo encontrei com a Pat, minha companheira da segunda parte de viagem que voltava do supermercado trazendo o jantar: pão e brie! Viva a França!

domingo, 5 de abril de 2015

Pedalando pela costa francesa! Day 12

Palavas les Fots à Valras Plage


O dia ensolarado me colocou sentada na bike sem pressa de viajar. Tinha traçado um percurso longo mas por outro lado após tantos dias de pedal aprendi minhas limitações.
O simples fato de saber que é Pascoa já me deixou com o modo agradecimento ligado e o dia contribuía lindamente para isso.

Logo pela manha o caminho que tinha escolhido passava por uma igreja medieval, de pedra amarela clara, simples e rústica que me fez querer entrar. Lá dentro uma musica suave tocava e os delicados raios de sol da manhã atenuavam a escuridão. Aproveitei o momento para enviar energia para quem amo. Agradeci e segui. O caminho traçado estava fechado, foi como se tivesse ido até ali, apenas para fazer o que fiz.


Ai vem aquela hora do dia de empurrar a bike. Queria seguir por outro caminho para não ter que voltar com ajuda do mapa resolvi arriscar e tentar cruzar o estreito de praia. Sem estradas, só um longo caminho por uma extensa e linda praia branca quase sem ninguém. Ouvindo o barulho do mar.


Na hora da fome, até achei um restaurante mas estava lotado e como fiquei muito tempo sem atenção resolvi sair porque o melhor seria meu pic nic tradicional no chão mesmo. O menu de sempre: camembert com pão e chocolate de sobremesa. Sentei ao lado de um rio azul num tapete amarelo de flores.


Pedalei muito, mas como não foi por estrada, na maioria das vezes estava sem carro algum por perto, no meio de ciclovias, campos verdes ou na lateral de mais longas praias tive vontade de continuar desfrutando o dia de sol e lindas paisagens. Ainda cruzei com o Canal du Midi, um pequeno trailer do filme que irei ver daqui poucos dias! Que lindo!


No final do dia quando estava quase no destino, contando com uma travessia de barco, que aparentemente nessa época do ano não existe, tive que voltar mais de 10 quilômetros para finalmente chegar praticamente no quarteirão que estava.

Oito da noite, nove horas em cima da Brava.
Um por do sol maravilhoso.
Feliz Páscoa!



sábado, 4 de abril de 2015

De bike no sul da França! Day 11

O dia hoje prometia, pelo mapa podia ver que ainda pedalaria um bom trecho no parque natural, e logo de saida o track do meu Suunto me jogou para uma estrada impedalável de areia fofa; mas era no meio de plantações e campos verdes lindíssimos.


Mais uma vez eu não estava nem aí em ter que descer da bike e empurrar.


A manhã estava assim incrivelmente ensolarada! Eu sabia que seria legal chegar ate Aigues Mortes para almoçar, mas meu cansaço acumulado dos dias e do push bike pediu para parar antes, então no primeiro restaurante que apareceu o problema se resolveu. Camembert grelhado com batatas fritas! O prato me daria energia por longas horas!


Saí de lá e pedalei mais uma hora até chegar em Aigues Mortes! Que merecia mais que uma parada, atrás de suas muralhas descobri a pequena cidade charmosa! Comprei um sorvete desci da bike e fui dar uma volta para curtir. Eu estava quase parando ali, mas o pedal ainda era curto, então sem pressa aproveitei para vivenciar a descoberta antes de seguir viagem.


As estradas do dia foram novamente excelentes, sempre com pistas só para bike e passando por várias cidadezinhas. No trecho final saí do track porque não queria pegar estrada e entrei na praia, pedal pesado e contra o vento curtindo o final de tarde de mais um dia maravilhoso! Hoje com 55 k pedi arrego! Recarregar as baterias!



Parc Naturel Camargue e o ataque dos pernilongos gigantes Day 10

Demorou um pouco para eu entender os planos que o google map tinha para mim. Muitas vezes eu tentava acompanhar o track no meu relógio e de repente estava fora. "Mas eu não vi onde virar."

Os planos eram mais mirabolantes do que eu podia imaginar. Numa das vezes que perdi o track a unica alternativa era seguir uma estrada movimentada horrível mas como não tinha placa proibindo (geralmente tem) e era por um ou dois quilômetros fui.


Ai já irritada cheguei em Fos-sur-Mer uma cidadezinha muito bonitinha, deixei a bike e subi até a Igreja sobre ruínas que fica no topo da cidade. Vista bacana! Andei mais um pouco e parei numa padaria ainda eram 11 da manhã mas eu já estava querendo almoçar. Finalmente aprendi que nesse esquema tem que comer a qualquer hora.

Para sair de For-sur-Mer também a estrada ainda não ficava bonita, mas o espertinho do google me jogava nas estradas de terra ao lado do trilho do trem, não era a coisa mais linda do mundo mas pelo menos não tinha movimento algum. Depois de horas assim descobri que pedalei em zonas privadas.
Estudei o caminho e escolhi a passagem por dentro de um parque natural e tive que pegar uma micro balsa para travessia para entrar na área de proteção ambiental. Bikes não pagam!


Finalmente Parc Naturel regional de Camargue. Que coisa linda! Primeiro passei por um vilarejo Salin de Giraud para mais uma parada para comer, dessa vez ataquei os bolinhos que levava comigo enquanto admirava a paz do lugar.

Depois segui o track, que quando programei escolhi que estaria de bicicleta, em muitos países isso não funciona porque não existe uma estrutura apta, mas na França...Ah na França! Apareceram as ciclovias e os ciclistas. O caminho traçado foi cruzando o parque natural por estrada que só podia bike ou pessoas.


O paque todo plano com vegetação rasteira e muita água. Pedalei por horas numa estrada que parecia uma passarela mais alta que o entorno e rodeada de água. Pássaros e de repente flamingos!
Cruzei vários bikers visitando a área e algumas pessoas a pé. Resolvi aproveitar o lugar incrível que estava e parar para fazer mais um lanchinho quando fui atacada por pernilongos gigantes. Imagino a quanto tempo os desgraçados não comiam. Tentei ficar andando de um lado para o outro mas mesmo assim eles não desistiam. Parecia sessão das 10 do SBT "O ataque sangrento dos pernilongos gigantes." Nunca vi isso na vida! Enfiei o sanduíche na boca e sai pedalando. A 16 km/h tinha pernilongo voando no meu vácuo!

Na estrada mais para frente tinham alguns trechos de areião que tinha que descer da bike. Era algo que requeria um estudo antes para ser o mais eficiente possível, empurrar a bike e tentar matar os gigantes, subir de volta na bike correndo começar a pedalar e sacudir tudo para ter certeza que nenhum ficou grudado. Chegou a ser engraçado.


Finalmente após cruzar boa parte do parque cheguei em Saintes Maries de la Mer uma cidade que fica dentro do parque natural. A coisa mais linda! O centro de estreitas ruazinhas com lojinhas e restaurantes. Achei um hotel charmoso provençal e  aproveitei o final da tarde todo para curtir o destino conquistado após 73 km de pedal!