sábado, 6 de agosto de 2011

Uma sexta feira triste

Eu nunca tive no sangue a rebeldia. Nunca queimei sutiã. Nunca participei de passeatas. Talvez tivesse pintado a cara no movimento contra o Collor pela festa ou bagunça de adolescente.

Não que deixe de fazer minha parte. Não que não tenha valores, mas minha luta foi sempre tímida. Meu manifesto é sempre silencioso.


Chegando em casa cruzei com meu irmão que estava indo até a praça do ciclista se reunir com vários ciclistas, ciclo ativistas e simpatizantes para mais uma triste homenagem; outra ghost bike seria instalada na cidade. Na quinta feira morreu mais um ciclista atropelado por um ônibus.

Todos reunidos na Paulista. Ali ninguém conhecia a vitima, mas é muito fácil para quem pedala na cidade identificar se com uma pessoa que foi morta fazendo o mesmo. Podia ser qualquer um de nós.

Essa sensibilização e a luta por um espaço maior nas ruas, divulgação do acidente e mobilização dos cidadãos faz os líderes desse movimento facilmente reunirem os bikers e adeptos.

Foram tomadas duas faixas das vias para que todos os ciclistas seguissem pedalando para o local do acidente no centro da cidade. A ghost bike ia presa na bicicleta de alguém do grupo. Parecia um formigueiro, sem ensaio, todos sabiam o que fazer, que caminho seguir e como lidar com o trânsito na hora do rush. Ou mesmo no canto de uma torcida organizada que implorava por “Mais amor e menos motor” “Mais bikes, menos carros”.

O mesmo aconteceu quando chegamos ao local do crime. Alguns desviavam o transito, outros pintavam faixas, outros a rua, e outros providenciavam uma escada para que a ghost bike pudesse ser presa ao poste. Bem perto do céu.

Houve também um momento que a situação pareceu que sairia do controle, mas logo um dos lideres do grupo acalmou a situação.

Eu com minha energia altamente permeável fiquei triste. Conversei com poucos, sorri para muitos e derramei algumas lágrimas sozinha. A noite estava gélida, a meia lua parecia cúmplice ao refletir o branco da bicicleta presa aos céus.

A homenagem levava a cor da bike: branca. A difusão de um pensamento que luta por uma cidade melhor, menos poluída, pessoas mais saudáveis e tudo aquilo que a bicicleta pode agregar. Paz.

Assim percebi que mesmo em silêncio apenas observando eu era parte integrante daquele grupo e faço parte dessa luta! Compartilhe!

2 comentários:

João Marinho disse...

Espero que essa pessoa descanse em paz e que o ser desaparecimento sirva de alguma coisa! Conheci uma bicicleta e agora estará outra nessa Paulista que também já pedalei...

Paz

Anônimo disse...

Neuróticos e psicopatas continuarão dirigindo e matando. Aos que pedalam só resta uma opção : respeitar as leis do trânsito e redobrar a atenção.