Catarina
Você resolveu nascer no dia da mulher, no mesmo dia marcado resolvi competir o short triathlon do Xterra. Pois é, eu sei, sua mãe bem que me queria na janela da maternidade para dividir essa espera maravilhosa.
Adrenalina da sala de parto, adrenalina sob o pórtico de largada.
Corri com seu nome escrito na minha perna e de unhas pintadas de cor de rosa. Acredita que só comecei a pintar unhas para competir? Foi sua mãe mesmo que fez minha mão da primeira vez. Hoje em dia muitas crianças já fazem isso, na minha época era proibido, mas não importa!
Torcida na maternidade, torcida na praia.
A natação foi mais fácil do que imaginei, depois que competi no Uruguai resolvi tomar vergonha na cara e treinar um pouco, claro que a roupa de borracha me ajudou muito
Eu estava ansiosa para usar a modalidade multisporte do meu Suunto, e logo que saí da água já troquei para transição. Perfeito!
Mari uma menina linda, como você deve ser, veio me dar apoio e me trouxe água enquanto apressada eu colocava a sapatilha.
Quando entrei na bike olhei para o seu nome na minha perna, acelerei. A essas horas você já estava arrasando corações na maternidade. Tentei enxergar o percurso através dos seus olhos; e agradeci o momento como se estivesse ali pela primeira vez.
O instante fez se presente.
Assim não fiquei tão brava quanto tentei passar uns marmanjos que não abriam na trilha. Tinha muita lama, o percurso com ótimos singlestracks mas que pelas condições do tempo muitos lugares não estavam pedaláveis. Ai um grupo simpático de homens abriu para eu passar pedalando e segui recuperando posições que perdi nadando. O mundo também é cheio de gente boa! Um deles me desejou feliz dia da mulher. Feliz mesmo.
Feliz como seus pais, feliz como os atletas.
O percurso da bike tinha vários trechos da corrida dos 21k que fiz ontem, mais curto quinze quilômetros passaram rapidinho. Logo estava na transição novamente. Quando cheguei lá me disseram que eu era a quarta mulher. Foi com tênis no pé, passos largos e determinação que passei a terceira colocada na corrida, exatamente o oposto que aconteceu comigo na ultima competição, dessa vez ao invés de ser passada, ultrapassei. Segui feliz de sorriso no rosto, escoltada pelas motos passei pelo pórtico de chegada em terceiro. Primeira da categoria amadora.
A Catarina chegou!
1:56 h de prova passou ventando! Pois é, pequena, a vida parece que passa assim; num minuto estamos no pórtico de largada no seguinte já estamos cheios de histórias para contar, então, minha amada, se eu puder te dar conselho viva ela com a consciência do presente, faça coisas que ame e agradeça todos os dias. Por fim, se for para pintar as unhas, que seja de lama!
Seja bem-vinda! Esse planeta é maravilhoso!
Amanhã estou aí, para te conhecer pessoalmente e entregar o seu troféu!
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domingo, 8 de março de 2015
sábado, 7 de março de 2015
21k Xterra Costa Verde
_ "Regis, você quer uma pacer?"
_ "Claro!"
Assim que decidi que iria correr o Xterra Costa Verde, no meio de uma planilha cheia de corridas (socorro!) para os treinos da maratona de Roma que vem logo ai!
O tempo estava perfeito para competir sem chuva e nublado.
A altimetria do percurso era pouca, o plano dificulta a vida. Mas a trilha tinha uns trechos ótimos de singletracks e lama.
Largamos em um pace acelerado junto com o pelotão da frente. Depois acompanhamos uns atletas engraçados que iam brincando com a ideia de não molhar os tênis nas travessias dos rios que teriam! Mal sabíamos, e quando chegamos aos rios nadar nunca foi tão bom; água de sobra para desaquecer os motores.
O Xterra seja no triathlon ou corrida sempre une várias tribos; corredores de aventura, corredores de asfalto, montanha e trilha. Sempre me divirto muito com as diferenças tão nítidas de vivencia.
_"Correr 21 aqui é mais difícil que completar uma maratona."_disse uma menina que nos passou nos quilômetros finais.
O que é bom para uns...
No quilometro 13 entramos no pista do campo de aviação. Gramado plano sem fim, que ia e vinha, aquele bate e volta que te faz pensar: "Sério?"
Aí o pace conjunto foi para as cucuias, a gente que estava se divertindo tanto nas trilhas no meio da mata não conseguiu encarar a monotonia de um "campo de futebol" sem fim.
Depois disso foi uma luta para continuar.
Hora de desviar a atenção para paisagem; a planície verde emoldurada por montanhas de mata densa e nuvens branquinhas e baixas. E os grilos que nos vastos campos não paravam de cantar!
Correr com o Regis, me tirou do "plano tosco". A corrida ficou ritmada desde o começo, meu corpo no final da prova ainda agradecia o ritmo adotado e me deixava com pouco de sobra para poder encarar o desafio de competir amanhã.
Incrível como energia compartilhada é energia dobrada. O tempo passou voando!
Em 2.39 hs com sorriso no rosto após um sprint final cruzávamos o pórtico de chegada!
Obrigada Régis pela companhia e amizade. Que venham muitas mais aventuras!
Agora é descansar que amanhã tem o short triathlon. Obrigada à todos que mandaram boas energias! VQV!
quarta-feira, 23 de abril de 2014
XTERRA Paraty - Relato de prova
Dois meses
sem poder correr por causa de uma fascite plantar, uma lesão bem chatinha na
sola do pé que parece não querer curar nunca. Focando em bike e stand up não
parecia estar tão mal para competir o Xterra em Paraty e fazer um teste do
quanto a lesão teria melhorado.
Sem nadar e
sem correr eu poderia ter me inscrito na prova de mountain bike que abria o
circuito do Xterra, mas minha paixão pelo multi esporte falou mais alto e às 9
horas da manhã estava sob o pórtico com mais de duzentos atletas.
Para minha
sorte um bom trecho da natação dava pé então a estratégia foi golfinhar até que
fosse obrigada a encarar a modalidade que literalmente me afunda. Não ainda não
aprendi a nadar e não seria dessa vez. Xterra acaba sendo sempre uma prova de
recuperação; é sair lá de trás, lá das ultimas posições e tentar recuperar o
prejuízo.
A transição
estava montada no centro histórico de Paraty o que obrigou os atletas a fazerem
uma transição da natação longa.
Sorte! Saí correndo da água com muita vontade
de pegar minha bike.
Agora
estava em “casa” aproveitar a modalidade que eu estava treinada. O percurso de
mountain bike foi bem variado; tinha estradão, singles, asfalto, subidas curtas
e duras, trilhas foi possível manter uma boa média.
O calor não
dava uma trégua, castigava muito e como a maior parte do percurso era aberta,
ia minando as forças. Só água às vezes deixa de resolver em situações extremas
como essa. Fui salva por uma turma de adolescentes que tinha uma Fanta gelada
em mãos.
A torcida
animada reunida no centro histórico era um gás extra na hora de trocar de
modalidade: estava pronta para encarar a fascite.
A corrida
foi a minha grande batalha, nem pela lesão que não se manifestou durante o
trajeto, mas pelo calor e percurso monótono. Um estradão que nos levava às
voltas sem uma paisagem atrativa sob o calor castigante do meio dia. Sete quilômetros e meio de pura tortura!
O plano
tosco concluído com sucesso! Após passar o pórtico caí totalmente desidratada e
sem forças. Fui a quinta mulher a cruzar a meta, primeira entre as atletas amadoras.
Obrigada
aos meus patrocinadores, amigos e apoiadores em especial à Suunto pelo apoio a esse
circuito! Andre e Bia pela companhia e
cuidado! Tom Cox meu mano que sempre deixa a minha bike tinindo!
Agora vou
me comportar e voltar aos treinos de bike! Juro!
P.S. Pois é
eu tinha terminado o relato e comecei a falar com Raquel, uma amiga minha que
também adora um Xterra, e chegamos a conclusão que talvez o que encante do
Xterra é que as distancias variam, a altimetria é completamente diferente de
uma competição para outra; as modalidades são as mesmas mas sempre em condições
adversas. Bem como os atletas, a colocação pode variar de uma prova para outra
independentemente do treino. Quanto maior a habilidade de adaptação às mudanças
de terreno e condições variadas de prova, melhor atleta!
Mais relatos
do XTERRA (Búzios, Costa Verde, Ilhabela, Havaí)
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
TRÊS RIOS OBSTACLE RACE - relato da prova
A aventura
já havia sido programada ha um tempo, tivemos algumas baixas na equipe, mas Régis,
Jesus e eu seguimos para a cidade de Três Rios, interior do Rio de janeiro para
a corrida de obstáculos de mesmo nome.
Por
problemas na viagem chegamos muito em cima da hora da largada da nossa bateria
que era às 9 horas e conversando com a simpática organização conseguimos mudar
nossa largada para as 10, a terceira bateria da competição. O destino nos
colocou no mesmo horário que o COE (Comando de Operações Especiais) e do BOPE (Batalhão
de Operações Policiais Especiais) motivação extra para correr mais.
A
referencia que tinha de corrida de obstáculos era assustadora, a minha única
experiência Tough Guy na Inglaterra havia me traumatizado por muito. Era
previsível que provas desse tipo tornariam se uma febre mundial, sem o frio
extremo da Inglaterra restava apenas muita diversão.
Diversão e
competição. Tenho que confessar; alinhada na largada só ouvia as batidas do meu
coração e o sangue competitivo acelerava a ânsia de correr. Ainda deu tempo de
escutar algumas dicas de atletas que tinham concluído as baterias anteriores e
tentar imaginar o que vinha pela frente, mas só vendo. Largamos.
Poucos
metros e já estávamos correndo entre pneus, tentando desviar dos suspensos que
eram empurrados sobre os outros para abrir passagem dos atletas. Obstáculo um
já ficara para trás, numa subida não muito ingrime uma mulher me ultrapassou,
eu estava próximo ao meu limite e como era muito começo de prova achei melhor
não forçar mais.
De uma
forma natural consegui recuperar minha posição tentando acompanhar Jesus que
corria desenfreadamente na minha frente. “Jesus!!! Imagina se ele treinasse?”
copiando sua estratégia passei o segundo obstáculo passar por debaixo e depois
pular por cima de troncos de eucalipto.
Após
algumas trincheiras e lama uma subida bem ingrime , no meio do BOPE eu não queria parar de correr e ouvindo
respirações ofegantes e elogios seguia num trote rumo ao topo. Ia mirando o
famoso símbolo “faca na caveira” estampado nos uniformes dos mais bravos
competidores.
O percurso
da prova era bem sinuoso, sempre em uma pista acidentada larga de terra. As
curvas muitas vezes me deixavam no controle: “Não vejo nenhuma mulher atrás!” conseguia saber também a minha distancia do Jesus, e o
Régis meu amigo que vinha logo atrás!
Os
obstáculos eram muito bem montados; trincheiras, piscina de gelo, cordas para
subir e tocar um sino, rampas, muros, montes de terra, pedras. Todos vigiados
pelo staff e “Ai” de quem não cumprisse a tarefa. Os castigos também foram
muito bem aplicados e quem não finalizasse o obstáculo corretamente era
obrigado a pagar um castigo (subir um morro, carregar pneu). Eu passei batido
por todos os obstáculos que cruzei, não tive que “pagar nenhuma prenda”.
Os obstáculos eram a diversão, torcia quando saia de um para encontrar e descobrir
logo outro. Como não havia estudado a prova, fui me surpreendendo ao longo do
caminho, a própria criança em parque de diversão!
Numa das
subidas bem ingrimes segui correndo com passos curtos no meio dela passei
um caveira, logo em seguida escuto um espectador: _ “Ih ò lá, a lorinha tá
tirando onda com o BOPE.”
Obviamente
o Sr 02 desceu como um rojão ao meu lado e logo me ultrapassou novamente.
“Faca
na caveira!”.
Lá do alto,
pouco antes de começar a descer já ouvia
o speaker anunciado: “Logo mais a primeira mulher cruzará a linha de chegada.”
Muito feliz
com a classificação e por outro lado triste (eu queria era mais obstáculos e
chão!)
Em meio ao do batalhão da policia especial cruzei a linha final da prova. Com tempo
de 30’42 para os cinco quilômetros bem preenchidos de obstáculos eu estava mais
que realizada. Agora era esperar as outras baterias para depois saber que no
resultado final eu tinha quatro minutos de vantagem sobre a segunda mulher.
Campeã geral do 3 Rios Obstacle Race!!!
Parabenizo a
organização da competição por desenvolver uma prova bem projetada com percurso
bem marcado e desenhado. Apenas espero que na próxima edição a cronometragem
seja um pouco mais precisa e atualizada.
Obrigada Jesus
e Régis pela companhia de prova e do dia inteiro, esperar o pódio sem vocês não
teria a menor graça! Obrigada aos meus patrocinadores e incondicionais
apoiadores New Balance, Suunto e Cofides.
Quer ver e
prova que lançou a moda?
TOUGH GUY a corrida curta mais dura que já fiz na vida! (aqui)
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
No topo da Pedra da Gávea!
Mais um pico escolhido para uma árdua conquista: Pedra da Gávea. Embrenhada no meio da mata a pedra de rosto esculpido reina sobre a cidade carioca. A energia da montanha é tanta que dizem que existe um portal que liga Machu Picchu.
A ideia veio da Cris, porque eu estava tão fissurada com a experiência do Pão de Açucar que queria repetir a dose. Mas como figurinha repetida não completa álbum; lá fomos nós três: Cris, Jesus e eu para mais uma aventura na cidade que expira esporte.
O percurso é bem exigente fisicamente. A caminhada toda feita em trilha no meio da mata atlântica, e no primeiro momento que saímos dela estamos completamente sem folego: a vista choca! Aí é escalar o paredão final.
Como "subimos" (confesso que não fui eu quem carregou a corda) com o equipamento, resolvemos fazer bom uso dele.
A nossa professora guia Cris tratou de colocar seus alunos em segurança!
Uma escalada bem fácil, porém extremamente divertida...
...e recompensadora a vista lá de cima é maravilhosa! Em duas horas de caminhada e escalada atingimos o cume!
No meio da cidade e sobre ela, não se escuta o caos apenas o sussurro da brisa. Ali nos tornamos parte da mata atlântica, da imensidão azul, a paz invade a alma.
Temos mesmo que voltar?
A descida com emoção teve um rapel delicioso no paredão da escalada. Adrenalina para uma Segunda feira fora da rotina.
Valeu Cris por mais uma conquista incrível Obrigada Jesus por topar essa e ainda carregar a corda! Que venham muitas outras aventuras divertidas!
sábado, 19 de outubro de 2013
(# 74 / 365) ESCALADA do Pão de Açucar!
Cris minha amiga carioca escaladora sabendo do projeto #365
topou me levar para um batismo no Pão de Açúcar. A gente já tinha feito uma
mini escalada no ano passado, mas dessa vez a coisa era séria: paredão íngreme e
várias cordadas. (Vale lembrar que não escalo portanto não se apeguem aos
termos técnicos utilizados na dissertação.)
Após uma caminhada na mata (impressionante como mesmo no
meio da cidade é possível sentir se totalmente fora dela) chegamos à base da “Coringa”
a primeira via a ser escalada. Duas e meia da tarde plena sexta feira um guia
com mais dois queria tirar par ou impar para entrar na nossa frente! Acabamos
passando eles na nossa segunda cordada.
Já começávamos escalando bem vertical, não senti muita
dificuldade em seguir “os passos” da minha mestra. A via de 3º grau boa para
escaladores de primeira viagem. Depois que passamos o grupo fiquei mais
tranquila para seguirmos no nosso ritmo que fluía muito bem; a Cris guiava e eu
subia segura pela corda e descosturando.
A medida que subíamos a vista começava a impressionar mais. “Coringa”
concluída com sucesso e eficiência, entramos no “Costão” uma via que tem apenas
um trecho que a corda é necessária, essa parte já tinha feito com
a Cris em 2012.
Passado o trecho de escalada entramos na terceira via; São
Bento, mesmo nível de dificuldade em escalada, outro nível psicológico.
Já estávamos bem altas na pedra e à medida que mudamos um
pouco de face começou a ventar bastante. A Cris estava longe, eu sentia o vento
esbravejando, apreciava os urubus que divertiam se tirando rasantes da pedra, mas absolutamente atenta a meus movimentos. É muito louco como o nosso
cérebro ativa o alerta, sabemos que ali qualquer erro pode custar muito caro.
Era possível sentir a adrenalina se manifestando no meu corpo, como se sentisse o sangue correndo pelas veias e ouvisse meu coração que batia medo e insegurança da nova experiência.
Quando terminamos a terceira via estávamos novamente encontrando a trilha do Costão.
"Olha aqui: O que você acha da gente fazer mais uma?"_ perguntou a professora sentido firmeza na aluna.
Dominada pela adrenalina a resposta era positiva. E foi ai que a aventura de verdade começou.
O nome da via a Cris nem lembrava: "Nossa faz anos que não escalo essa via."
A vista era estarrecedora. O nível de dificuldade psicológico parecia aumentar a cada minuto, o precipício de pedra se dissolvia num verde de mata atlântica banhado por mar azul e ondas espumantes. Bem lá embaixo.
Começamos com uma cordada boa. O vento não nos deixava escutar.
"Olha aqui: se você não me escutar eu vou dar três puxões na corda quando estiver ancorada. Você solta e dá três puxões novamente quando estiver pronta."
Quando encontrei com a Cris novamente já estava preocupada com o horário:
"Cris, quantas cordadas será que faltam?"
"Não pode ser muito não Luli, mas olha só: tem um headlamp para você no zíper de fora da sua mochila."
Enquanto eu cronometrava o tempo a Cris demorava para guiar, tentava estimar o horário que ficaria escuro. As luzes da praia se acendiam, os navios viravam pontos dourados no meio de um oceano negro.
"Por enquanto eu estou enxergando de perto, acho que consigo ir sem headlamp." pensava sozinha sem querer transparecer minha ansiedade.
Quando ouvi o Grito da Cris dizendo que a via terminara respirei aliviada; não seria hoje que duas escaladoras seriam notícia. Terminamos a trilha com headlamps acesos e totalmente no escuro. Atingimos o cume as 6:40 da tarde!
A Lua iluminava nossa noite. O Rio estava aceso e a vista da cidade maravilhosa era nossa por direito!
Obrigada Cris, por me guiar seguramente numa experiência tão sensitiva e emocionante!
Era possível sentir a adrenalina se manifestando no meu corpo, como se sentisse o sangue correndo pelas veias e ouvisse meu coração que batia medo e insegurança da nova experiência.
Quando terminamos a terceira via estávamos novamente encontrando a trilha do Costão.
"Olha aqui: O que você acha da gente fazer mais uma?"_ perguntou a professora sentido firmeza na aluna.
Dominada pela adrenalina a resposta era positiva. E foi ai que a aventura de verdade começou.
O nome da via a Cris nem lembrava: "Nossa faz anos que não escalo essa via."
A vista era estarrecedora. O nível de dificuldade psicológico parecia aumentar a cada minuto, o precipício de pedra se dissolvia num verde de mata atlântica banhado por mar azul e ondas espumantes. Bem lá embaixo.
Começamos com uma cordada boa. O vento não nos deixava escutar.
"Olha aqui: se você não me escutar eu vou dar três puxões na corda quando estiver ancorada. Você solta e dá três puxões novamente quando estiver pronta."
Quando encontrei com a Cris novamente já estava preocupada com o horário:
"Cris, quantas cordadas será que faltam?"
"Não pode ser muito não Luli, mas olha só: tem um headlamp para você no zíper de fora da sua mochila."
Enquanto eu cronometrava o tempo a Cris demorava para guiar, tentava estimar o horário que ficaria escuro. As luzes da praia se acendiam, os navios viravam pontos dourados no meio de um oceano negro.
"Por enquanto eu estou enxergando de perto, acho que consigo ir sem headlamp." pensava sozinha sem querer transparecer minha ansiedade.
Quando ouvi o Grito da Cris dizendo que a via terminara respirei aliviada; não seria hoje que duas escaladoras seriam notícia. Terminamos a trilha com headlamps acesos e totalmente no escuro. Atingimos o cume as 6:40 da tarde!
A Lua iluminava nossa noite. O Rio estava aceso e a vista da cidade maravilhosa era nossa por direito!
Obrigada Cris, por me guiar seguramente numa experiência tão sensitiva e emocionante!
# 74 / 365 - Viciei em mais um. E agora?
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
O Rio Antigo do Régis
Lá fomos nós encarar o "Rio Antigo", uma prova do circuito de corrida pelas ruas urbanas do centro do Rio. Só mesmo Regis e Inês para me tirarem da cama em um domingo as 6 da manhã para competir no centro da cidade (com toda aquela Orla! Carioca é bicho estranho!) e ainda na pipoca.
Fora eu, todos estavam inscritos; Rosanne, Luiz e Inês iriam para o desafio de 5 e eu resolvi acompanhar meu amigo Régis no percurso de dez quilômetros.
Regis que estava feliz que iria se ver livre de seu "pacer" de costume Luiz, não ficou tão sossegado quando descobriu que o "diabo rosa" (como eles mesmo me apelidaram) iria substitui lo.
As largadas no Rio são mais tumultuadas que as paulistas, o que permitiu com que me infiltrasse na massa. Logo atrás do Régis largamos. Nunca fui pacer de ninguém, o pouco da experiencia que eu tenho é de ficar amolando a Dri nas competições que fazemos juntas. Nunca deu certo!
Já que o Régis não levava relógio não era eu que iria ficar controlando a velocidade média, minha estratégia era acompanhar e tentar passar um pouco da minha vivencia de competição. Otimizando as descidas:
"Régis abre a passada sem que isso altere seu batimento!"
"Calçada também é pixxta!" _ imitando cariocas que dobravam a curva na tangente.
Terminados os primeiros 5k hora de atacar o psicológico:
"Beleza agora a segunda parte será negativa."
"Oi?"
"Negativa! Faremos a segunda metade mais rápida que a primeira."
"Negativo!"
Bom isso de certa forma era um bom sinal, estávamos no limite o que nos impedia de acelerar.
No meio de uma reta monótona de prédios, resolvi puxar:
"Bora bora bora, acelera esse passo!"
Surtiu efeito contrario! Ai ai que pacer de meia tigela que fui sair!
Ai olhei pra cima e pensei o que me fazia acelerar.Olhei para a avenida que corríamos sombreada pelos prédios a volta em seu meio um facho de céu azul e pássaros curtiam a manhã.
"Aproveite a vida!"
Na curtição estávamos na reta final de chegada. Com sorriso no rosto, sem se preocupar com pace ou tempo cruzamos o pórtico de chegada, 2´30 minutos a menos que seu melhor tempo! Veja o percurso aqui!
Obrigada Régis por me deixar testar sua paciência, descobri que ela é do tamanho do seu coração!
Que venham mais aventuras!
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Night Run - Special edition Rio de Janeiro 5k
_ "Cinco ou Dez?"
_ "Vamos de 5, porque o pedal sábado será longo!"
O pedal sábado foi na trilha do imperador, na região de Petrópolis. Com pouco grau de dificuldade técnica, mas ao lado da turma de amigos o dia lindo fez se repleto!
Foram quase 70 quilômetros e minhas coxas gritavam na subida (É! Eu não contei mas quinta feira tinha feito um treino puxado de 15 de corrida) Estar no Rio de Janeiro, ainda mais em uma semana ensolarada fica difícil não treinar.
A medida que sábado ia passando, Régis, Inês e eu íamos nos conscientizando de que provavelmente iríamos chegar com tempo justo em casa para deixar as bikes e sair para a corrida noturna. Exatamente o que aconteceu; Foi chegar em casa e trocar a sapatilha pelo tênis de corrida.
A organização da prova estava bem tumultuada, a largada seria as 20 h, no mesmo horário que eles tinham permissão para fechar o Aterro do Flamengo; claro que a largada atrasou. De certa forma a desorganização me deu certa vantagem porque prontamente me posicionei na linha de frente.
Por voto vencido a estratégia mais uma vez seria o plano tosco* (corre para a morte e torce para morrer depois do pórtico) O engraçado de competição curta é que o sofrimento é concentrado; corre se no limite o tempo todo.
Larguei feito uma bala, virei o primeiro quilometro abaixo dos quatro minutos, mas claro que isso não poderia dar certo. Ali na frente já estava rezando para conseguir cair só depois de cruzar o pórtico. O Luiz (mais um carioca da turma que pedalou os 70 k) logo chegou em mim, com conforto me acompanhava no meu pace que estava em 4.30'. Com o passar dos quilômetros meu ritmo caiu ainda mais e não havia Cristo que me fizesse aumentar a velocidade. Até Luiz me abandonou!
O pior é que 300 metros antes da chegada tinha um pórtico "pegadinha" com um enorme "Sorria!" onde ficavam os fotógrafos posicionados para foto, mesmo tendo um pouco de ideia que ali pudesse não ser a linha de chegada, queimei tudo o que me restava. Passado o pórtico falso só faltava eu rastejar!
Como sofri nos metros finais, ainda tentando pegar uma mulher que me passou no ultimo quilometro, em vão! Com 22'min 33 cruzei o pórtico oficial de chegada, primeiro lugar na categoria e 12 entre as mulheres. Nada mal!
Quero fazer mais provas de velocidade, na próxima vez deixar o plano tosco de lado e tentar manter um pace rápido a corrida toda.
Na sua opinião qual é a melhor estratégia para uma corrida de 5k?
domingo, 25 de agosto de 2013
A liberdade é carioca
A beleza do misto de cidade e floresta tropical encanta.
Toda vez que venho pro Rio de Janeiro me sinto turista.
A cidade dos esportistas e aventureiros.
Não tem como passear pela cidade sem cogitar
como seria escalar determinado pico,
como seria remar até aquela ilha ou fazer tal travessia.
Trabalhar num dia de sol aqui soa como desperdício de vida.
Deve ser daí que vem a fama de que carioca não trabalha.
E nós paulistas contando vantagem, como se trabalhar menos fosse defeito.
Trabalhar na praia, curtir o mar e
correr até a vista do Leblon também é pecado?
Torcer para o dia de trabalho acabar cedo para remar na Barra é defeito?
Então eu quero ser uma eterna pecadora.
Posso ser paulista de nascimento, mas minha alma de certeza é carioca.
sábado, 17 de agosto de 2013
Relato X TERRA Costa Verde
Fui para o Xterra Mangaratiba sem saber como o meu corpo
iria se comportar um mês após o Gigathlon. Querendo ganhar um pouco de
experiência no Xterra.
Amanheceu um dia incrível e minha ansiedade fez com que
fosse uma das primeiras a chegar para deixar a bike na transição.
O que mais me diverte nos X terras são as diferenças tão
nítidas entre triatletas e aventureiros. Toalhinha esticadinha no chão ao lado
da bike com o tênis e tudo metodicamente arrumadinho pode ter certeza que o
dono daquela bike com banco de gel não é um corredor de aventura.
Tinha esperança de que poderia melhorar na natação, vindo de
uma competição que nadei 20 k em seis dias, mas mais uma vez quase fui
atropelada pelo caiaque vassoura. Não tem mágica é melhor eu aprender a tirar o
wetsuit porque nadar sem ele não está dando certo.
Hora da bike, começa a prova de recuperação (repetindo
estratégia de Ilhabela) só que o percurso de Mangaratiba não é tão técnico e tem
trechos planos; hora dos triatletas passarem ventando. Mas enquanto eles param na
margem pensando se tiram a sapatilha para atravessar o rio, a gente passa pedalando. Hihihi
Aos poucos fui recuperando posições, feliz com a resposta do
meu corpo que atendia à vontade de acelerar. Num single de subida passei
Luciana, uma xará simpaticíssima que me ultrapassou de novo quando a trilha
virou estradão. Travamos uma disputa saudável.
Após os 22 k de bike aproveitei a transição para me hidratar
comer um pouco e sair correndo. De cara passei novamente minha xará e segui num
ritmo de corrida bom e ela na cola. A corrida era bem plana também, sim a etapa
de Mangaratiba é uma competição que beneficia mais os triatletas enquanto Ilhabela
os aventureiros.
O chip misturado com areia começou a assar minha canela,
quando parei para arrumar fui novamente ultrapassada. Seguimos revezando
posições todo o percurso, a um quilometro e meio da chegada passei minha “rival”.
Quando falta pouco, o percurso te joga para dar aquelas “voltinhas”
por trilhas e subidinhas, aquela virada para esquerda que quebra o psicológico de
qualquer um! Era torcer para que não fosse só o meu.
Ultima trilha e subida, pronto! Cruzei o pórtico de chegada!
Primeira na categoria e quarto lugar entre as mulheres.
Agora é treinar e focar para tomar ralo das gringas no Havaí
em outubro!
Agradeço a Suunto e meus patrocinadores. Ao meu irmão que
deixa sempre sua sobrinha de duas rodas impecável para competir!
Valeu Tom, a bike estava redondinha!
Valeu Tom, a bike estava redondinha!
sábado, 27 de abril de 2013
Asa Delta no Rio de Janeiro (# 58 / 365 esportes)
"Se quer fazer um duplo de asa delta você tem que ir para o Rio!" _ foram essas as instruções de meu pai.
Filha de pai voador, minha infância foi assim no meio de pioneiros, olhando para cima com o radio na mão para saber onde seria o pouso. Ouvindo gírias e termos do esporte, escutando e vivenciando histórias divertidas e algumas assustadoras.
Ai você me pergunta:
"E porque você não voou com ele?"
Porque as asas deltas tem tamanhos diferentes de acordo com o peso do piloto. As de voo duplo são maiores.
O nome do escolhido: Ruy Marra.
Ruy me recebeu de braços abertos para dividir a experiência. Literalmente uma EXPERIÊNCIA! O recordista mundial de vôos duplos, especializou se em biopsicologia, e usa isso a favor de seus passageiros. Desde da subida até a Pedra Bonita até o momento da decolagem Ruy usa seus artifícios para deixar nos calmos e enriquecer a vivencia. Musica e respiração. (Lá vem a respiração de novo! A mesma que controla o equilíbrio no slackline, traz paz de espírito no novo desafio.)
Confesso que não estava nervosa. Eu já tinha feito um voo duplo, mas um que não fora preciso correr. Em termos radicais, o mais gostoso foi exatamente sentir adrenalina ao ter que sair correndo numa rampa de 8 metros para se jogar num precipício de 520.
Já sobrevoando o precipício, a adrenalina deu lugar ao encantamento e imediatamente meus olhos encheram de água!
"Meu deus! Isso é tão... tão...tão..."_ não conseguia encontrar palavras para expressar. "É fácil entender porque meu pai é tão apaixonado por esse esporte!"
"Nossa Ruy! Isso é maravilhoso, tão maravilhoso..."
"...que dá até vontade de chorar!" _ completou o piloto imbuído da minha emoção.
A floresta da Tijuca, o mar, o vento, o dia.
O Rio de Janeiro é incansavelmente maravilhoso, e sobrevoa lo numa segunda feira ensolarada e cristalina foi intenso.
Breve dez minutos. Dez minutos eternizados!
Obrigada Ruy por compartilhar sua energia e tornar a experiência ainda mais marcante.
Obrigada paiê por nos contaminar de esporte! Life is good!
Gostou? fala com o Ruy (21) 9982-5703
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