segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

TRÊS RIOS OBSTACLE RACE - relato da prova


A aventura já havia sido programada ha um tempo, tivemos algumas baixas na equipe, mas Régis, Jesus e eu seguimos para a cidade de Três Rios, interior do Rio de janeiro para a corrida de obstáculos de mesmo nome.

Por problemas na viagem chegamos muito em cima da hora da largada da nossa bateria que era às 9 horas e conversando com a simpática organização conseguimos mudar nossa largada para as 10, a terceira bateria da competição. O destino nos colocou no mesmo horário que o COE (Comando de Operações Especiais) e do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) motivação extra para correr mais.

A referencia que tinha de corrida de obstáculos era assustadora, a minha única experiência Tough Guy na Inglaterra havia me traumatizado por muito. Era previsível que provas desse tipo tornariam se uma febre mundial, sem o frio extremo da Inglaterra restava apenas muita diversão.

Diversão e competição. Tenho que confessar; alinhada na largada só ouvia as batidas do meu coração e o sangue competitivo acelerava a ânsia de correr. Ainda deu tempo de escutar algumas dicas de atletas que tinham concluído as baterias anteriores e tentar imaginar o que vinha pela frente, mas só vendo. Largamos.

Poucos metros e já estávamos correndo entre pneus, tentando desviar dos suspensos que eram empurrados sobre os outros para abrir passagem dos atletas. Obstáculo um já ficara para trás, numa subida não muito ingrime uma mulher me ultrapassou, eu estava próximo ao meu limite e como era muito começo de prova achei melhor não forçar mais.

De uma forma natural consegui recuperar minha posição tentando acompanhar Jesus que corria desenfreadamente na minha frente. “Jesus!!! Imagina se ele treinasse?” copiando sua estratégia passei o segundo obstáculo passar por debaixo e depois pular por cima de troncos de eucalipto.

Após algumas trincheiras e lama uma subida bem ingrime , no meio do BOPE  eu não queria parar de correr e ouvindo respirações ofegantes e elogios seguia num trote rumo ao topo. Ia mirando o famoso símbolo “faca na caveira” estampado nos uniformes dos mais bravos competidores.

O percurso da prova era bem sinuoso, sempre em uma pista acidentada larga de terra. As curvas muitas vezes me deixavam no controle: “Não vejo nenhuma mulher atrás!”  conseguia saber também a minha distancia do Jesus, e o Régis meu amigo que vinha logo atrás!

Os obstáculos eram muito bem montados; trincheiras, piscina de gelo, cordas para subir e tocar um sino, rampas, muros, montes de terra, pedras. Todos vigiados pelo staff e “Ai” de quem não cumprisse a tarefa. Os castigos também foram muito bem aplicados e quem não finalizasse o obstáculo corretamente era obrigado a pagar um castigo (subir um morro, carregar pneu). Eu passei batido por todos os obstáculos que cruzei, não tive que “pagar nenhuma prenda”.

Os obstáculos eram a diversão, torcia quando saia de um para encontrar e descobrir logo outro. Como não havia estudado a prova, fui me surpreendendo ao longo do caminho, a própria criança em parque de diversão!

Numa das subidas bem ingrimes segui correndo com passos curtos no meio dela passei um caveira, logo em seguida escuto um espectador: _ “Ih ò lá, a lorinha tá tirando onda com o BOPE.”
Obviamente o Sr 02 desceu como um rojão ao meu lado e logo me ultrapassou novamente. 
“Faca na caveira!”.

Lá do alto, pouco antes de começar a descer  já ouvia o speaker anunciado: “Logo mais a primeira mulher cruzará a linha de chegada.”

Muito feliz com a classificação e por outro lado triste (eu queria era mais obstáculos e chão!)
Em meio ao do batalhão da policia especial cruzei a linha final da prova. Com tempo de 30’42 para os cinco quilômetros bem preenchidos de obstáculos eu estava mais que realizada. Agora era esperar as outras baterias para depois saber que no resultado final eu tinha quatro minutos de vantagem sobre a segunda mulher. 
Campeã geral do 3 Rios Obstacle Race!!!

Parabenizo a organização da competição por desenvolver uma prova bem projetada com percurso bem marcado e desenhado. Apenas espero que na próxima edição a cronometragem seja um pouco mais precisa e atualizada.

Obrigada Jesus e Régis pela companhia de prova e do dia inteiro, esperar o pódio sem vocês não teria a menor graça! Obrigada aos meus patrocinadores e incondicionais apoiadores New Balance, Suunto e Cofides.

Quer ver e prova que lançou a moda? 
TOUGH GUY a corrida curta mais dura que já fiz na vida! (aqui)


Um comentário:

Ricardo Mourelhe disse...

Sra Lulicox ... és exemplo a ser seguido..lutou bravamente ... motivo de orgulho dos Caveiras ... que por instantes ... imaginaram tida essa garra e determinação no Teatro de Operações.. daria uma ótima Combatente... Cão de Guerra ... Caveira!!

Força e Honra sempre!!! Vá e Vença!!!
Sargento Ricardo Mourelhe (Batalhão de Operações Policiais Especiais - BOPE - RJ)