Mostrando postagens com marcador Amarante. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amarante. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Mountain Quest 60 km - testando o percurso


Toda vez que trabalhei nos eventos com o João, o reconhecimento era trabalho obrigatório afinal o mutante sempre queria saber como uma reles mortal se portaria no percurso. Foram inúmeros empenos que tomei, quer queira fazendo os tracks da DBR ou me arriscando no primeiro ano do Mountain Quest.

O Mountain Quest foi criado em 2012 por um atleta de ponta, um mutante que desafiou-se fazer 3 serras, 160 km com mais de 5 mil de acumulado passando sempre pelo ponto mais alto de todas, no meio delas existe ainda mais uma montanha o monte farinha ou Senhora da Graça, mas essa é brinde; tipo pague 3 e leve 4! No começo eu dizia que o desafio era para quem mordesse a isca, e realmente é, mas hoje eu acho que é um desafio de mutantes para mutantes, claro que os mortais podem se arriscar e se conseguirem serão elevados à outro patamar. (leia sobre a primeira edição do MQ aqui)


Esse ano, mesmo sem a presença física de seu criador, o Mountain Quest eleva seu nível, além da prova principal os 180 km foi acrescida uma prova de 60 km no dia seguinte, e para aqueles loucos que quiserem testar ainda mais seus limites será possível arriscar se nas duas competições, com poucas horas de descanso entre uma e outra.
Finalmente só os 60 km oferecem uma possibilidade para os reles mortais, é a abertura do Olimpo, para podermos participar da festa e ficar perto dos Deuses!

Lá fui eu então sabendo das minhas condições testar os 60, porque o "trauma" de ter tentado os 160 nunca saiu da cabeça.

Pois bem; nas provas da Nexplore não existe nada fácil, era se de desconfiar que 60 quilômetros pudessem ser suaves. Mesmo fazendo uma previsão pessimista para o andamento, levando em consideração que pararia para fotos etc, errei de longe.


Sair de Amarante, qualquer que seja a direção é sempre para cima, o problema é que o "para cima" demorou os primeiros 30 quilômetros. Durante a subida nas bifurcações que existiam pelo caminho, na duvida era sempre a subir. Nunca suave, o asfalto durou pouco e logo estava lidando com pedras, singles a areia.

Mas a medida que nos afastamos da cidade estamos sós na montanha. O sofrimento realça as cores da paisagem, deixa a montanha soberana, e ao mesmo tempo que nos torna pequenos nos enche a alma.


Fui seguindo o track no meu Suunto, as vezes tinha algumas duvidas, quando no meio da primeira serra me deparo com silvas (um arbusto cheio de espinhos que os portugueses estão fartos de conhecer, mas os brasileiros nem por isto) arvores e uma trilha desaparecida.
"Será mesmo por aqui? "


E era, demorei bons minutos pondo a bike nas costas e tentando me desviar das silvas, mas mesmo assim sai de lá que parecia saindo de uma briga de gatos, toda arranhada. Nos velhos tempos eu diria que deixassem o percurso assim (as vezes a minha porção de corredora de aventura fala mais alto que a de biker) mas não se preocupem esse pequeno trecho estará limpo para o domingo.

A medida que passava por algumas partes tipicas, as memorias pipocavam na minha cabeça, tanto já vivi nessas serras que me sinto em casa. O percurso dá a volta na Capela são Bento. Não basta pedalar também é preciso agradecer, eu sugiro que o façam; no domingo quando por lá passarem lembrem se de agradecer, recarreguem se com a energia que as montanhas emanam e sigam, afinal estão apenas no começo do empeno.


Já no alto da primeira serra é possível ver a Senhora da Graça, e ela acompanha quase todo o percurso, cumprimente a pois ela estará ali olhando por ti boa parte do caminho. Chega até ser irritante, porque quando a vê pela primeira vez ela está tão longe, depois vai se aproximando até chegar aquele momento após escalar 1000 metros que a montanha vai ficar abaixo de você. Ela lembra muito as eólicas, parece estrategicamente posicionada para avisar da dureza do percurso.


Depois dos primeiros 30 km de subida vem uma descida realmente incrível, com pedras, técnica e ingrime, e mesmo apesar de todo cansaço acumulado me fez sorrir, me aproximou do João.


"Os cafés" que tanto me diziam que tinham no trajeto só apareceu no quilometro 37 km, agora imaginem o tamanho da marretada da pessoa aqui que até lá levava apenas balas e azeitonas. Fontes e água não foi problema, mesmo com o calor que fazia tive acesso a água e não passei necessidades.Cheguei no café no meu limite de exaustão.

A dona e alguns clientes encantaram se com o fato de estar sozinha pedalando no meio dos montes.
"Uma brasileira? Tão longe de casa? Sozinha?"
Minha parada levou dezesseis minutos, tempo suficiente para duas Colas (como dizem por aqui) dois pães recheados de chocolate e uma conversa boa.


Segui viagem reenergizada, e sabendo que o pior já tinha ficado para trás.
A "volta" para Amarante fica mais suave, o percurso continua incrível com downhills por caminhos em pedra, a famosa ponte de arame, que eu não entendo como ela continua ali!

Essa parte do percurso me fez lembrar o reconhecimento de uma dia da DBR que fiz com o mutante em 2012 (leia aqui) que foi outro empeno que só!


O por do sol anunciava a noite que chegava e o tempo que eu demorava a fazer os 60 km. Oito horas e vinte em cima da bike. Mas o fim de tarde trouxe também uma satisfação indescritível.
Estar aqui poder compartilhar o amor pela bike, pelas montanhas, pela serra, poder dividir isso com amigos de longa data. Dar continuidade a um sonho.

Falo em nome da organização 2015, o Mountain Quest não é apenas uma competição, é um presente de amigos que compartilham sua paixão e a usam de combustível para tornar um sonho, realidade.
Aproveitem o empeno, vivam cada segundo dele, agradeçam, recarreguem suas energias nas montanhas e comemorem conosco na linha de chegada!
Sejam bem vindos!

domingo, 14 de junho de 2015

Finalmente Amarante! * bike trip Day 4

"Luis, você vai mesmo me encontrar?"
"Vou, vou!"
Assim eu poderia desistir de amarrar todos os meus pertences na bicicleta porque teria alguém para carregar a minha mochila na peregrinação final à Amarante.
Combinamos na ponte pedonal da Régua, e depois de um delicioso cafe da manhã com direito a um lindo bilhete de boa viagem dos anfitriões, segui para o encontro.

O percurso até a Régua era só descida e logo no começo peguei um downhill em singletrack técnico delicioso! Comecei o dia delirando.
Cheguei na ponte antes das dez, me abriguei do vento e frio a espera de meu amigo.


10:10, 10:15, 10:20. Vou seguir sozinha ele sabe mais ou menos meu caminho...
Comecei a subir a Régua. Absolutamente maravilhada com o lugar, lembrei da viagem de caiaque que fiz com o João, e de muitos momentos no Douro. Realmente um lugar impressionante, sua beleza choca!


Com a mochila em cima da bike, empurrando e xingando o Luis de tudo quanto é nome. Quando olhei as possibilidades de track, vi que certamente nos desencontraríamos, eu não estava no caminho mais obvio e as possibilidades eram diversas.
"Ai Meu Deus!"
Foi aí que tive a brilhante ideia, resolvi pedir ajuda externa e chamei meus bisavôs:
"Andem lá! Tragam o Luis aqui, porque eu não aguento mais carregar essa bike e mochila, desse jeito não vou chegar a Amarante nunca!"

Avistei um restaurante e decidi parar; frango com batatas fritas! Ah as batatas fritas de Portugal... são fresquinhas e feitas na hora! Deixei a minha bike encostada numa esplanada fora. Poucos minutos depois quem aparece?


"Brazuca, mudei meu caminho, teves é muita sorte de eu te encontrar!"
Assim depois do almoço tive a tão sonhada mochila carregada e uma doce companhia para me trazer de volta a Amarante.
...E se querem saber a verdade; nunca foi sorte!



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

DOURO BIKE RACE - 3 DAY Serra do Alvão

A Serra do Alvão veio para selar o sofrimento dos que largaram para mais um dia de competição. O calor que fez no dia agravou ainda mais as condições da etapa longa que deixou vários pelo caminho.

A Douro bike race consagra se por isso; é uma prova dura. Ponto.
Tem que ter treino e é preciso ter cabeça para sofrer. Por outro lado agrega uma grande experiência na bagagem de atleta e proporciona uma vivência espetacular e unica.

Mais um dia espetacular em estar na meta esperando os últimos a cruzarem, e seguindo o ritual que criou se o ultimo colocado era recebido com muita festa e champanhe!
Aos que sobreviveram a mais uma dura etapa ainda restava um dia!








terça-feira, 18 de setembro de 2012

MOUNTAIN QUEST...

DOURO BIKE RACE -2 DAY Serra do Marão



O segundo dia da DBR marcado pelo primeiro longo estágio começou sobre a ponte São Gonçalo.
Difícil traduzir em palavras o que foi presenciar tal largada; O Sol da manhã iluminava a igreja e o pórtico, a ponte ainda escura foi ficando colorida a medida que os atletas iluminados preenchiam seu espaço.
Após um prólogo em festa estava na hora de sofrer um pouco; os atletas que não conheciam a DOURO BIKE RACE começaram a perceber o que vinha pela frente.

90 k numa altimetria bastante exigente, com trilhos em singletrack e muita pedra por todo o percurso. Tudo isso abençoado por uma paisagem de tirar o fôlego, literalmente.
O João e eu acompanhamos de perto toda a prova, largamos no jipe do Monteiro e depois ainda fomos do topo da serra do Marão até as margens do Douro de helicóptero para tirar fotos e acompanhar os atletas, confesso que eu tenho mais medo de andar no jipe...(Desculpa, Monteiro!)

Depois do longo passeio era hora de esperar os atletas na meta. Cansados mas com um sorriso grande de satisfação muitos reclamaram da ultima parte em singletracks, por mais incríveis que fossem os trilhos, a maioria já estava na expectativa de chegar.
Pois é pessoal como diriam as inúmeras plaquinhas espalhadas ao longo do percurso: "This is DOURO BIKE RACE."






MOUNTAIN QUEST - 160 k


Feita por mutante para mutantes. E ai dos mortais que ousarem a fazer...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

PRÓLOGO DOURO BIKE RACE 2012



A cidade de Amarante parou para ver os quase 300 atletas que competiram na EPIC (4 dias de prova). O cenário da largada anunciava que a DOURO BIKE RACE veio em grande; um carro de boi foi instalado no largo São Gonçalo, o cartão postal da cidade. De 30 em 30 segundos os atletas largavam para o percurso de 10 k.
Uma festa celebrada por mountain bikers e turistas que dividiam o espaço maravilhados com o espetáculo.
A contagem regressiva para cada atleta era cantada pelas crianças que assistiam entusiasmadas a algazarra que quebrava a rotina de uma cidade naturalmente pacata.
Em clima de uma competição amigável e principalmente de celebração do esporte foi dada a largada para a DOURO BIKE RACE 2012.


Douro Bike Race 2012


Terceira edição da DOURO BIKE RACE.
Mais um ano que trabalhei como staff junto a organização da prova. Ver a evolução de uma competição que a cada ano parece ser insuperável e nos surpreender mais uma vez com os resultados é extremamente gratificante. Cada sorriso, choro, abraço e agradecimento nos toca e torna os concentrados quatro dias e noites de trabalho duro em memórias maravilhosas!
Obrigada a todos atletas e staff que estiveram presentes na DBR.
Nos próximos dias prometo contar mais de tudo o que aconteceu aqui em Amarante! Não saiam daí!

terça-feira, 10 de julho de 2012

O que está por vir Douro Bike Race 2012 Serra do Alvão


Fazer a segunda etapa do Alvão na Segunda feira levando em consideração que nós tínhamos demorado 12 horas para fazer o Marão no sábado não me soava como uma boa idéia.
Como diz o ditado carioca: “Passarinho que acompanha morcego acorda de cabeça para baixo!”.


“Eu não quero pedalar 12 horas de novo!” _a mortal.
“Não se preocupe, não serão 12 horas!”_ o mutante, obviamente nesse momento ele estava mais uma vez usando sua própria referencia; “Que diabos 12 horas?! Quem demora 12 horas para completar 90 km?”


Nem preciso contar para vocês que o passarinho aqui começou a chorar no quilometro 6. E você me pergunta:
“No quilometro 6?”
Eu te respondo:
“Isso mesmo no quilometro 6, e digo não é fácil acompanhar João Marinho no pedal, quem já teve o desprazer de tentar sabe bem o que eu estou falando, depois dizem que levamos com o homem da marreta! Eu vou te dizer, o agente J. é o homem da marreta!”



Enxugando as minhas lágrimas com toda a paciência do mundo me disse que me levaria apenas até o rock garden, que era uma parte do percurso que eu estava ansiosa para ver. Nesse momento tivemos uma brilhante idéia; E se pedíssemos ajuda para os universitários?
Rapidamente o João pegou seu celular e postou no Facebook

“A situação é a seguinte: estou com a Luli na serra do Alvão, ela tá quebrada e precisa vosso apoio. Estamos no km 12 e são 90km da etapa 2 da DBR. Quantos mais comentários, mais kms ela faz! Bora lá comentar? Cada comentário vale 1km”



Em poucos minutos já tínhamos quase 40 comentários, a partir daí eu já estava pensando com é que eu ia fazer para seguir já que provavelmente a postagem atingiria 90 comentários. No final do dia foram quase 150! Aí eu lhes pergunto: “É assim que vocês me consideram? Me obrigando a pedalar 90k com o mutante, vulgo homem da marreta?”


João me explicou o percurso, com montanhas tão visíveis fica fácil identificar em que parte da etapa nós estamos. Nessa etapa não existem os malditos cata-ventos brancos, nela o principal referencial é o morro da Nossa Senhora da Graça. Claro que 60 k depois o nome do morro foi alterado!


O rock garden é uma parte saborosa da DBR para quem aprecia técnica. Eu mesmo me deliciei com alguns trechos, em outros desci da bike, não tanto pelo medo das pedras, mas a lateral da trilha tem um “precipício” e isso atrapalhou minhas idéias.


Fui posta à prova fazendo todas as etapas da competição que será em setembro, desde a primeira etapa eu aprendi algo e pude contar para os interessados; aprendi lidar com o calor, a nunca olhar para o topo do morro que é sempre para lá que a gente vai, aprendi que todo percurso deve ser respeitado. O que eu ainda não tinha aprendido era que eu tinha que me cuidar para não ficar assada.


Embora tenha feito algumas competições em estágio isso nunca tinha me acontecido, e depois do meio do percurso a situação ficou grave.
“A tragédia de um dia da nossa vida tem potencial para virar comédia no dia seguinte.”


Na hora não teve graça, ouviu Nossa Senhora? Não teve graça nenhuma eu ter que andar algumas subidas com o calção no joelho rezando para não aparecer nenhum pastor. Não teve graça também em ter que trocar de bermuda com o João (isso é que é namorado!) para ficar com uma roupa menos justa. Na hora não teve graça em ter que ligar para o Luis Leite ir de encontro a nos trazendo pomada.
Enquanto isso choviam comentários no facebook! Foram quase 30 k pedalados em pé graças a vocês meus amigos.


No final do dia o por do sol, a lua que nascia quase cheia, intensificados pelo meu sofrimento deixou aquela tarde vívida na minha memória. O silencio de espírito, o sorriso banhado a lágrimas de satisfação em ter completado a etapa, e não ter demorado 12 horas, ter demorado quatorze!


Quando chegamos a extremos a vida toma uma proporção diferente, nosso referencial muda, depois de tudo isso um banho e uma Coca- cola bem gelada e a vida tem um sabor muito mais especial.


Amigos, aproveitem a Douro Bike Race, ela foi feita com muito amor e carinho para que todos possam viver 4 dias intensos que ficarão na memória vívidos e coloridos.
Love the ride!


Quer saber mais sobre as etapas? leia no blog da Douro, lá o mutante conta tudo tim tim por tim tim!