segunda-feira, 20 de outubro de 2014

BRASIL RIDE - 2 dia PIOR É NA GUERRA

Largada / Chegada: Mucugê - Rio de Contas
Distância: 146 km Distancia Percorrida 125 km
Ascensão acumulada: 3096 m
Tempo Limite: 11:30 hs de prova Tempo até o Pc4 11:40 hs


Pior é na guerra! Nunca vou me esquecer de um Ecomotion que fiz que essa frase se repetia a cada instante: Pior é na guerra! O segundo dia de Brasil Ride me deixou na dúvida.

Mas vamos aos fatos. A Dri e eu sabíamos que a única maneira de concluirmos a etapa Rei da prova, seria se hidratando muito. Não poderíamos nos descuidar um segundo caso contrário estaríamos em grande risco.
A estratégia era começar forte, porque além do calor tínhamos outro inimigo chamado corte. O primeiro trecho era propício para isso asfalto depois estradas longas de terra, com areião, mas nada que tirasse o ritmo imposto pela nossa bike de dois motores. 
Fortes no ritmo, nos alimentando direito.

Comparando com outras competições que fizemos, para nós, os cortes da Brasil Ride são justos, e sabendo disso nossos relógios estavam ajustados com todas as informações de tempo e velocidade que iríamos precisar.

Mas vamos à guerra: Entramos no Vietnam, trecho da competição de 12 k de trilhas em sua maioria das vezes intransponíveis. Sua entrada fica mais ou menos no quilometro 100. Ali no campo de batalha encontramos vários soldados extendidos no chão. O quadro foi ficando assustador; atletas desidratados, deitados no chão, e isso não era apenas o estado dos atletas do fundo; os atletas de ponta também passaram mal e tiveram baixas. O caso ali não era de não passar mal, era de quem conseguisse lidar melhor com o sofrimento insano.

Empurrar a tandem não era uma tarefa fácil. Na maioria das vezes a Dri levava a bike sozinha, mas muitos trechos eu tinha que pegar a parte de trás e carregar a tandem nas costas para passarmos os trechos de escalaminhada e pedras. O tempo todo driblando o calor, entrado nos rios do percurso, jogando água na cabeça. 

A velocidade média caia, e pelos cálculos passar o corte do ponto de água 4 era uma realidade cada vez mais distante. Os perrengues divertem a gente, seguimos assim dando risada e nos achando as combatentes até nos transformamos em duas verdadeiras "soldadas" de guerra. Na parte de lama nossa camuflagem ficou completa. As brincadeiras nos fizeram esquecer as vezes que tívemos que deitar no chão e esperar uma melhora do nosso organismo. O termômetros atingiram 50 graus.

Quando finalmente chegamos na praça da cidade onde era o ponto quatro, fomos aplaudidas por uma multidão de atletas que também tinham ficado por lá. Não houve tempo para restabelecer uma ordem; bicicletas espalhadas por todos os lados, atletas que precisavam ser transportados para Rio de Contas. Combatentes tomando soro na veia. Assim foi.

Nossa bike não tinha chegado até as dez horas da noite, ainda tinham atletas em campo de batalha. Não tenho dados exatos de quantos atletas foram combatidos. A noite não teve briefing pois a organização tentava organizar o caos. 

As cenas dos próximos capítulos ainda estão por vir. Pior é na guerra!




4 comentários:

ciro violin disse...

Minha nossa!!!
Essa prova é casca, do jeito que vc curte

Tô acompanhando, aqui
Vai contando...
Boa prova!!

Fabiana PONTES disse...

Tb to acompanhando! Muita garra aí, meninas! Bjs solidários

Cristina disse...

Meninas... eu até choro quando leio esses seus relatos... putz grila que perrengue para todos, não? Continuem a espalhar alegria mesmo na dor, uma missão inerente a todas as provas que vocês participam !! hehehe Força dobrada e boa sorte para vocês, beijão.

Fatima disse...

Cota de velas aumentadas! Vão se cuidando daí, que vou rezando daqui!!
Divirtam-se!!
Pedir juízo seria o fim da guerra, né? Hehehehh
Sooooca a bota!
Beijos e força