quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Vingança do Marroquino - cap. II

Novamente a postos na recepção para encontrar com Hachid e sair para o segundo dia de treino. Dessa vez iríamos tentar explorar uma nova trilha que nos levaria ao topo da reserva ecológica.

Hachid chega sorrindo:
_”Onde pensa que vai? Ao shopping?” _pergunta o marroquino referindo se ao meu modelito shorts, top e meião.
_”Tá falando o que, ow marroquino?”

Sua roupa de Rambo do dia anterior tinha dado lugar a uma sunga com desenho de um palhaço Bozo careca e raivoso, o tênis de salto virou um tênis de corrida. Eu fiquei sem entender porque o Rambo do dia anterior agora era um corredor de elite.

Saímos pela portaria do Clubmed em busca da entrada da trilha, em poucos metros eu entrei e comecei a subir e Hachid me seguia. Subimos alguns metros e nos deparamos com uma porteira fechada. “Sem saída” é melhor voltar! Quando descia  encontrei com um local e perguntei se ele sabia onde era a trilha que procurava. Mais uma tentativa frustrada.

De volta ao asfalto o marroquino tomou a frente e seguiu pela estrada correndo. Eu seguia atrás encarada pelo palhaço raivoso de sua sunga fashion.

Hachid falava em francês eu respondia em inglês, outras vezes em árabe e eu respondia em português. E se querem saber, correndo, a gente se entendia perfeitamente.

Quando passou reto pela segunda entrada e seguiu no asfalto percebi o porquê de sua vestimenta de corredor; hoje Hachid queria asfalto, seu sangue árabe queria vingança.

Num ritmo forte liderava a corrida, eu tentava acompanhar à medida que olhava o Suunto; “Meu Deus! Esse Marroquino desgraçado está virando o quilometro para 4 minutos, eu nos 4.30 tropeçava na língua tentando não dar o braço a torcer.”

_”Eu tenho que voltar as 18hs.”
Sem conseguir acompanhar o ritmo pensei comigo “Graças a Deus!”

Às vezes ele olhava para trás e gritava: “Vamo, Vamo, Vamo!” ai eu tomava do meu próprio veneno. Ninguém mandou ensinar português para a criatura, agora era minha vez de escutar o que eu tanto gritei no ouvido dele no dia anterior.

Eu estava acabada, de fato, não conseguia acompanhar o ritmo de Hachid, mesmo assim pedia que ele seguisse na frente para não relaxar e diminuir o pace, eu queria sofrer! Brigando com meu psicológico gastava todas minhas forças procurando motivação para correr num asfalto monótono.

O sangue árabe do meu mais novo companheiro de treino transbordava em sorriso de vitoria: 
_“Luli yesterday vamo vamo vamo, today Hachid vamo vamo vamo!” com seu inglês macarrônico cantava a vitoria do dia.

_ “Ok Hachid então quando você vier para o Brasil marcamos o desempate! Faz o seguinte me adiciona no facebook e me avisa quando for voltar.”
_ “Luli, Hachid no facebook. Hachid loves women, facebook dangerous!”

Final de Treino: Marrocos 1 x Brasil 0

Um comentário:

Adriana Dalman Boccia disse...

hahahahahaha... tô morrendo de rir.

Muito bom. Tá imaginando eu junto com você, aliás, nesse ritmo is estar morta.