segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Treinando com o Marroquino - cap. I

(A primeira cronica da série "As aventuras de uma G.O de alma)

Lá fui eu para a recepção do Clubmed. O chefe do hotel tinha me pedido que levasse um dos hóspedes para uma caminhada de montanha.

Quando chego na recepção encontro um homem extremamente bronzeado de cabelo alisado com uma faixa pink na cabeça no maior estilo Rambo, vestido com uma regata vermelha, calça verde exército e tênis daqueles com tanto amortecimento que parece que tem até salto. Como se não bastasse com caneleiras de 2 k em cada perna. Esse é Hachid, um marroquino que vive na Bélgica, aficionado em malhar procurando uma boa companhia que aguentasse seu ritmo de treino.Os eleitos e vitimas da vez; eu e Jesus (o chefe dos esportes do resort)

Num papo engajado com seu amigo Said, que trabalha no clube, Hachid ficou olhando para o meu tênis Minimus e falando um monte, perguntando onde estava minha calça, meio desacreditado que eu estava prestes a entrar em plena mata atlântica de shorts.

"Hachid aguënta." _ disse Said_ "Luli também, sei que se Hachid decidir ficar 2 horas na montanha tudo bem, agora quero ver Jesus."
Saímos os três marchando em direção a floresta.

***

A área de uso do Clubmed Rio das Pedras é apenas 5% de seu total, uma reserva enorme de mata atlântica abraça as instalações. Lá fomos nós; Hachid com suas caneleiras seguia ritmadíssimo na frente, eu logo em seguida e Jesus fechava a trilha.

Rambo em ação. Uma máquina. Para acompanhar sua marcha atlética, as vezes eu tinha que trotar:
"Nossa! Quanto tempo eu vou aguentar o ritmo do Marroquino?"_com a faca nos dentes pensava_"Nem que eu saia daqui rastejando vou levar desaforo para casa." e acompanhava seus passos freneticamente. Jesus logo em seguida, sem mostrar cansaço algum.

Do outro lado, com um toco espanta onça na mão, o rambo marroquino deveria estar pensando o mesmo; destruir os exércitos pink, liderando a marcha atlética enquanto eu continuava tendo que trotar morro acima para ficar na bota e não perder a batalha.

Saímos do nível do mar e subimos 500 metros em quatro quilômetros e quando a trilha ficou mais íngreme finalmente Hachid começou a dar sinais de cansaço e resolveu parar para se recuperar um pouco. Jesus, o juiz da batalha já tentava convencer nos a descer a montanha antes que a guerra ficasse mais séria.

Salvo pela decisão sábia Hachid nos acompanhou correndo montanha abaixo.
Fim de treino: Brasil 1, Morrocos 0.
...continua aqui

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