quarta-feira, 10 de junho de 2015

Plasencia à Navasfrías * biketrip Day 1

Saí de Plasencia as nove da manhã, ainda sem muita vontade de pedalar. Meu corpo ainda estava sentido o peso do Xterra. Eu tinha planejado pedalar ao redor de 50 e poucos quilômetros levando em consideração experiencias anteriores e condição física atual.


Dessa vez sem a Brava e com a minha mountain bike Rose Rocket teve que ser diferente; toda a carga seria levada nas costas, até que para quem veio competir e pretende passar quinze dias por aqui consegui me comportar muito bem montando uma não tão pesada mochila. Obvio que optei por arriscar e não levar ferramenta nenhuma de bike, tudo o que eu tenho é uma tesoura e olha que eu pensei em abandoná la ao sair do hotel, depois mudei de ideia porque pode ajudar em alguma emergência. Se pudesse escolher prefiro pedalar uma bike muito pesada do que ter que carregar tudo, mas como não tive escolha, segue!


Mais uma vez baixei a rota no Suunto para ter liberdade de saber o caminho sem ter que depender de ninguém. Dessa vez escolhi uma rota a pé nas opções do google considerando que poderia passar com a bike em todos os lugares.


A primeira estrada já me deixou feliz, com pouquíssimo movimento de carro e paisagens bonitas me levando a mudar o astral de quem não estava querendo pedalar. Seguindo o Suunto o caminho me mandou para dentro de um parque; estrada de terra com árvores verdes dispersas em campo amarelo. Lindíssimo!


No meio do parque sem aviso prévio a corrente arrebenta e cai no chão. Eu olhei para trás meio desacreditada que isso pudesse estar acontecendo. Otimista de plantão a primeira coisa que pensei "Ainda bem que isso não aconteceu no meio da competição" em seguida vem o pensamento realista "Como vou arrumar isso?"


Lá estava eu e ela cara a cara: "Santa tesoura!" Eu demorei um tempo para conseguir me entender com a corrente e depois com ajuda da minha unica ferramenta finalmente reencaixei, ai foi só achar uma pedra e bater na corrente para fechar. Claro que no primeiro momento eu coloquei ela errado na bike e quando sai pedalando o barulho esquisito me dizia que era melhor eu rever o concerto. Pronto! Depois da parada obrigatória segui viagem pedalando bem de leve para não forçar nada.


Não demorou muito cheguei em Villasbuenas de Gatas o vilarejo que tinha planejado ficar, mas a casa rural que tinha marcada no google maps não estava ativa, como era cedo e o vilarejo era bem pequeno abasteci de água na fonte da cidade e segui para encarar a serra.


Uma cadeia de montanhas fica na divisa de Portugal e Espanha nessa região que estou por isso havia planejado para parar antes, a serra no final do dia com o acumulado poderia doer. Como os dias escurecem as 10 da noite tinha bastante tempo para subir com calma. De fato foi o que fiz; saí da bike coloquei a mochila chumbo (pois é o tempo passou e revi meus conceitos) em cima da bicicleta e fui andando calmamente. A montanha demorou muito para terminar mas minha alma estava em paz.


O segundo plano de ataque era El Payo, mais um pequeníssimo vilarejo, que descobri ter uma casa rural e guiada cheguei ao local:
"Boa tarde, a Sra. é a responsável pela casa? Posso dormir essa noite?"
Com pouca boa vontade a espanhola me respondeu:
"A casa está ocupada. Mesmo assim eu não alugo para uma noite."
Eu já tinha entendido na primeira frase, a segunda resposta gratuita só me fez imaginar que poderia vir a terceira: "Dorme na rua, bitch!" mas antes que isso acontecesse agradeci, montei na bike e segui mais doze quilômetros rumo a Navasfrías.

Quase as sete da noite já perto do meu limite cheguei a mais um vilarejo. Dessa vez tinham placas de duas casas rurais. Bati em uma delas e ninguém atendeu, ai me informaram que os donos do bar da cidade eram os mesmos, então fui ao bar. No caminho a minha corrente voltou a arrebentar, sem arrumar segui a pé.

"Boa noite, me informaram que poderia ter informação das casas rurais aqui."
Outra senhora tão simpática quanto a primeira me responde:
"As casas são do meu irmão e ele não está, não há nada que eu possa fazer. Você pode tentar o próximo vilarejo."
Havia mais pessoas no bar que me olharam com cara curiosa.
"Mas não existe nenhuma opção aqui?"
"Não." novamente sem boa vontade.
"Bom então eu vou dormir na rua mesmo porque não posso mais pedalar."
Pedi uma Coca-Cola e a senha da internet para ver se tinha alguma luz. Nesse meio tempo imagino que alguém se sensibilizou e conseguiu amolecer o coração de pedra da mulher.
"Vou tentar falar com meu irmão."

Felizmente o dia acabou bem e suas filhas fofas me acompanharam de patinete até a linda casa rural. Em Navasfrías com sabor de doce imprevisto, termina o primeiro dia da aventura de pedal rumo a Portugal. Amanhã tem mais!


2 comentários:

Anônimo disse...

Em Portugal toda a gente teria oferecido a sua própria casa para você dormir! Pode ter a certeza! :) Boa viagem!

Adriana Dalman Boccia disse...

Que demaisssss...hahahahahahahahaha....Não acreditei que quebrou a corrente.
Fala sério Mana, é muito legal fazer isso, sempre terá histórias pra contar.

E ANJO sempre aparece, pode ter certeza.